Na posse de Rodrigo Neves, Jorge Roberto defende seu governo em Niterói

Antes de repassar a prefeitura de Niterói para o seu ex-secretário de Integração e Cidadania (1998-2000) na tarde desta terça-feira (01), o agora ex-prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira (PDT), se defendeu das acusações feitas pelo sucessor, Rodrigo Neves (PT), de crescimento da dívida pública do município em seu mandato.

O ex-prefeito admitiu que, atualmente, Niterói não tem possibilidade de se manter economicamente sem recursos das esferas estadual e federal. Ele não aceita que a dívida da prefeitura seja de R$ 400 milhões, como citou Neves, mas não aponta o valor que considera real. Acha que houve algum erro no calculo deste valor e o explica como "consequência de diversos governos sucessivos".

"São dívidas de longo prazo que se somam a cada gestão. Ainda assim, no meu mandato tivemos tragédias naturais na cidade. O novo prefeito é bem intencionado, mas houve uma falha técnica na hora de fazer os cálculos", argumentou Silveira.

Para solucionar as dívidas públicas da cidade, o ex-prefeito disse estar confiante na capacidade de articulação de Neves junto aos governos estaduais e federais. Neves, além de ser do PT, como a presidente Dilma Rousseff, tem o apoio do governador do Rio, o peemedebista Sérgio Cabral, que compareceu ao Solar Jambeiro para prestigiar a cerimônia de posse.

Outro ponto polêmico que Silveira comentou foi a acusação de que a economia precária da prefeitura está colocando em risco o pagamento dos salários de dezembro para cerca de 50% dos servidores públicos de Niterói: "não existe isso, foi um mal intendido. Não é que os servidores não vão receber, mas uma parte deles só receberá o salário no próximo dia 5 de janeiro", afirmou o ex-prefeito.

O novo prefeito de Niterói destacou que relatórios emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) dão conta de que a dívida ativa da Prefeitura soma atualmente R$ 433 milhões.

Acusações e defesas à parte, a cerimônia de posse de Rodrigo Neves ocorreu de maneira amigável. Em tom conciliador, o pedetista, em seu discurso para as cerca de 250 pessoas presentes, entre essas alguns populares, destacou a chance de uma boa gestão graças à "juventude, entusiasmo e competência já demonstrada por Neves na vida pública". Ele ressaltou ainda o "importante apoio" que, provavelmente, será dado pelo governo estadual.

Ao terminar o discurso, Silveira se retirou do local, sendo acompanhado por Neves até o seu carro. Ao retornar ao salão da festa, o prefeito eleito anunciou o "choque de gestão" em um curto período de tempo, mas evitou críticas mais duras ao seu antecessor e amigo.

"Todos os niteroienses vão perceber uma mudança significativa no modelo de gestão em pouco tempo, que será de forma mais transparente que o modelo atual", disse o Neves.

Não esquecendo de agradecer à família, aos colaboradores da campanha, ao governador Sérgio Cabral e  ao seu vice, Fernando Pezão, Neves anunciou que a cidade vive uma "crise sem precedentes"e prometeu não economizar esforços para conter a atual situação da cidade. 

Após a posse, ele foi para a sede da prefeitura onde assinaria 40 decretos para serem publicados Diário Oficial do município desta quarta-feira. Entre as medidas adotadas estão a revogação do aumento das passagens de ônibus, a redução de mais de 1000 cargos comissionados, um plano de ajuste fiscal para retomar o crédito, além de reduzir de 59 para 26 o número de secretarias e autarquias. "Isso será só o começo para colocar o trem descarrilhado de volta nos trilhos", concluiu.

para o governador do Rio, Sérgio Cabral, como Neves, "Niterói ganha uma nova dimensão e um prefeito batalhador, que não terá medo de tomar decisões impopulares".

*Do Programa de Estágio do Jornal do Brasil