Paes deve ter 2º mandato marcado por aumentos e aceleração de obras

O Rio de Janeiro do segundo mandato de Eduardo Paes (PMDB), que começa oficialmente amanhã, vem recheado de aumentos: das obras de infraestrutura da cidade - que se prepara para receber já no próximo ano Copa das Confederações, Jornada Mundial da Juventude e do Rock in Rio -, além do IPTU e das passagens de ônibus. Mas Paes afronta seu segundo período à frente da prefeitura do Rio com um respaldo e tanto. Foram 64% dos votos válidos no segundo turno, com 1.742.411 votos.

Se até hoje nenhum prefeito do Rio tinha ousado abandonar a zona sul, parte mais rica da cidade, em detrimento das zonas norte e oeste, pode-se dizer que Paes está fazendo isso. Tanto que comemorou sua vitória no Parque de Madureira, construído por ele, e que considera um dos pontos altos de sua administração. Não que tenha deixado a parte considerada mais nobre de lado. Mas não se pode esconder que ele está priorizando obras de estrutura de transportes e saneamento das partes menos favorecidas.

O Bus Rapid Transit (BRT), sistema expresso de ônibus, já liga Santa Cruz à Barra da Tijuca e vai conectar em breve o aeroporto do Galeão aos locais de competição dos Jogos Olímpicos na Barra. Com o projeto Morar Carioca, Paes tem levado infraestrutura aos bairros mais afastados do centro e promete urbanizar todas as favelas até 2020. "Muita gente pensa que o Rio só está pensando nos grandes eventos. Mas estamos pensando no Rio do futuro", disse Paes durante lançamento de um megaempreendimento no centro da cidade, com a marca do milionário americano Donald Trump.

E talvez o maior desafio do segundo mandato de Paes seja deixar a cidade brilhando para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. E isso para o carioca vai significar um aumento do ritmo das obras e dos transtornos. Além do BRT, os moradores vão se preparar em abril para o início efetivo da derrubada do Elevado da Perimetral, que vai dar uma nova cara ao porto do Rio. Em abril, as mudanças ganham impulso e os problemas de trânsito devem se intensificar. "A melhoria no trânsito, que inclui a derrubada do Elevado da Perimetral e a integração da região através de novas modalidades de transportes, como BRTs e VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos), vai facilitar a mobilidade em toda a região. Além disso, a área do porto vai abrigar instalações olímpicas, como as vilas dos árbitros e da mídia não credenciada, um hotel cinco estrelas e um centro de convenções", disse Paes na época da campanha, sem saber que teria que, meses depois, anunciar a chegada do projeto das cinco Trump Towers à região da avenida Francisco Bicalho. "O Rio é uma cidade que inverte a lógica de uma cidade que fugia do seu território. Pelo contrário, estamos revitalizando o centro", afirmou.

Aumento do IPTU e dos ônibus

Mas para tanto investimento, mesmo com parcerias com o setor privado, Paes quer aumentar a arrecadação do município. Mesmo afirmando e reafirmando durante a campanha que o IPTU não seria aumentado, a verdade é que população vai receber seu carnê de 2013 com um valor 5,73% maior. "Estamos há 15 anos sem uma atualização na tabela do IPTU, o que gera algumas aberrações gravíssimas. Por isso, vejo necessidade de se discutir. É uma situação que já previa só para 2014 mesmo, então, para que haja uma decisão equilibrada, vamos deixar esta questão para o ano que vem", disse Paes logo após ser reeleito. Para 2014, o prefeito promete mais: quer atualizar o valor dos imóveis, o que pode elevar o valor do IPTU em alguns casos em até 30%, além de tirar da isenção grande parte da cidade e aumentar a arrecadação. Hoje, apenas 40% dos imóveis pagam o imposto, e o prefeito quer ampliar esse número para 97%.

As passagens de ônibus também vão ficar mais caras a partir de janeiro. Um reajuste de 5,4% foi concedido a empresas de ônibus, elevando o valor da passagem de R$ 2,75 para R$ 2,90. Os ônibus com ar-condicionado ainda são raros em uma cidade cuja temperatura média fica acima dos 27°C durante o ano (segundo a Climatempo), mas estes não serão reajustados. "Vamos ter todos os ônibus da cidade com ar-condicionado até 2016", garantiu o prefeito no mês de outubro.

Ainda falando em transportes, Paes prometeu maior rigor contra os abusos cometidos pelas empresas de transportes e táxis: excesso de velocidade, acidentes e negligência contra estudantes e idosos na hora do passe livre. E, para isso se tornar possível, trocou antes mesmo do início do novo mandato seu secretário de Transportes. Carlos Roberto Osório, que ficou conhecido como o xerife da cidade e suas operações Choque de Ordem na secretaria de Ordem Pública, assumiu a pasta. E, em menos de duas semanas, promoveu operações contra taxistas que cobram a corrida "no tiro", ou seja, com valor pré fixado e não o valor do taxímetro, e também contra motoristas de ônibus que não respeitam a lei da gratuidade. Em apenas um dia, foram aplicados mais de R$ 470 mil em multas.

Desafios do 2º mandato

Reeleito, Paes prometeu levar o Rio ao primeiro lugar do Ideb (Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico). "Nós já tivemos um super resultado no último Ideb. Somos a terceira capital no primeiro segmento, a quinta no segundo. E a nossa meta é ser a primeira no IDEB em 2016" disse Paes, após saber do resultado do Rio em 2012. Ponto crítico de sua administração, o prefeito disse que a saúde será prioridade em seu segundo mandato.  "A saúde me angustia. Pegamos a área numa situação muito ruim e vamos trabalhar bastante para melhorar", afirmou em discurso logo após a confirmação da sua vitória.

Eduardo Paes vai ter ainda quatro anos com importante papel político na sucessão do governador Sérgio Cabral e em sua própria sucessão. No caso do governo do Estado, o nome dele é forte como candidato à pasta. Paes já descartou a possibilidade e disse que será o prefeito da cidade na Olimpíada. Agora, o problema está no fato de ele apoiar o candidato do governador, o vice Luiz Fernando Pezão, ou o senador Lindbergh Farias, do PT, partido da presidente Dilma Rousseff e do vice de Paes a partir de janeiro, Adilson Pires.

O problema é que Pezão é o escolhido de Cabral, padrinho de Paes no PMDB, mas que, apesar de ser "carregado no colo" pelo governador, não consegue se firmar como nome forte. O que pode facilitar a vida de Lindbergh e dificultar a escolha de Paes. "O meu candidato ao governo é o Luiz Fernando Pezão", disse o prefeito carioca, que também já foi forte opositor ao presidente Lula, a quem chamou certa vez de "chefe de quadrilha" e hoje é aliado de toda a vida. Quando o assunto é prefeitura, surgem vários nomes ao seu lado: o do secretário de Transportes, Carlos Roberto Osório, do secretário de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Melo, e do secretario da Casa Civil do Rio, Pedro Paulo Carvalho.

A última batalha do peemdebista, porém, no fim do seu primeiro mandato, é com a Câmara de Vereadores pelo Projeto Olímpico. Paes enviou o projeto para viabilizar as construções do campo de golfe e  do centro de mídia dentro do Parque Olímpico por parte do consórcio Rio Mais. A proposta foi aprovada, mas com várias emendas que, segundo Paes, serão todas vetadas. Dentre as emendas, o consórcio que construir o campo de golfe terá isenção de IPTU e ISS por tempo indeterminado e a ampliação da possibilidade de construção da área do Parque Olímpico e mais de 500 mil m², muito além do que a legislação prevê. "Vou vetar tudo. Se atrapalhar o projeto olímpico, vamos ter que refazer tudo", disse ele, que, apesar da aprovação popular, não vai ter vida fácil nos próximos quatro anos.