Em Niterói, servidores da área da saúde recebem como autônomos e são ameaça

Novo prefeito descobriu absurdos como gastos de R$ 8 milhões com papel higiênico

O atendimento da saúde em Niterói, tanto em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) quanto em postos de saúde e hospitais municipais, está sendo feito por profissionais que recebem através de Recibo de Pagamento de Autônomo (RPA), normalmente com contratos que duram apenas três meses. Esta é uma das grandes anomalias encontradas pela equipe de transição do prefeito que toma posse na administração do município nesta terça-feira (1), Rodrigo Neves (PT).

Na gestão do seu antecessor, o pedetista Jorge Roberto da Silveira, que há oito anos está no cargo, estão sendo encontradas situações consideradas como verdadeiras anomalias. A Empresa Municipal de Moradia Urbanização e Saneamento-Emusa, presidida por José Roberto Mocarzel, por exemplo, foi responsável pela compra do papel higiênico utilizado em todos os órgãos municipais. Com isto, as despesas com este utensílio, segundo informações iniciais levantadas pela equipe do novo prefeito, totalizaram algo em torno de R$ 8 milhões, valor considerado absurdamente alto.

Cabide de emprego

Mas, a contratação de profissionais por RPA – o que chega a ser uma novidade no serviço público - é uma das aberrações que estão assustando – e muito - o novo administrador municipal. Afinal, se ele suspender os contratos destes servidores o atendimento na área de saúde sofrerá um grande baque e poderá parar. Segundo uma das pessoas que atuaram na equipe de transição, isto ocorrerá por ser bastante expressivo o número de contratados por este regime.

Também assustou ao novo prefeito a informação de que os servidores municipais contratados mediantes concurso formam o menor quadro dentro dos órgãos municipais. Ao todo são 2.500, numero bem inferior aos 3.200 que ocupam cargos comissionados e, portanto, são admitidos mediante critérios políticos. Ou seja, órgãos municipais viraram cabide de emprego de apaniguados políticos. Outra preocupação grande é a variação salarial existente entre os diversos servidores encontrados

Uma das medidas já anunciadas por Neves, como o Jornal do Brasil informou, é reduzir em 1.300 estes assessores comissionados. Ainda assim, permanecerão 1.900 funções a serem preenchidas pelos partidários da aliança que ajudou a eleger Neves que incluiu o PV do seu vice-prefeito, Axel Grael, e ainda os partidos PMDB, PC do B, PSB, PRB, PSC, PMN, PSDC e PHS.

Denúncias contra o mergulhão

A equipe do novo prefeito também recebeu denúncias de que a construção da passagem rodoviária subterrânea na principal entrada da cidade – o mergulhão da Avenida Marquês de Paraná – obra que se arrasta há mais de ano, estaria com sérios problemas na sua estrutura, inclusive com risco de desabar.

Como a informação partiu de pessoas ligadas a empresas que foram alijadas da obra, o prefeito está tratando do assunto com todo o cuidado e não pretende fazer alarde. Ele já decidiu recorrer à Coppe – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da UFRJ, para que seja feita uma avaliação técnica do que existe,  definindo o futuro da obra.

Apesar de todas estas “descobertas” que assustaram a equipe de transição do prefeito Neves, não se deve esperar que ele compre uma briga aberta com o seu antecessor, Jorge Roberto, de quem já foi secretário municipal e a quem ainda tem laços de gratidão e amizade.

Por isto, é bem provável que, ao contrário do que tem ocorrido em municípios como Duque de Caxias e Nova Iguaçu, cidades onde, como o Jornal do Brasil informou, os novos prefeitos prometem verdadeiras devassas nas gestões que se encerram, Neves não deverá sair atacando aquele que lhe ajudou no início da sua carreira pública. 

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