"Tempo de espera ainda desafia", diz Padilha

Para Ministro, Into não pode ser única opção no Rio

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve no Rio Imagem para a comemoração de um ano do Centro de Diagnóstico por Imagem da Secretaria de Saúde (SES), o Rio Imagem. Apesar do clima de festa, o ministro admitiu que o tempo de espera dos pacientes de hospitais cariocas ainda é grande, como ficou evidente no caótico atendimento prestado pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia(Into) na semana passada:

"O tempo de espera para uma ressonância magnética, no Rio de Janeiro, já foi de 4 anos. Hoje, o tempo máximo é de seis meses, mas precisamos melhorar essa questão", assumiu o Ministro. O secretário municipal de saúde, Hans Dorman, acrescentou:

"Hoje, o tempo que leva para um paciente ser atendido pelo SUS no município do Rio são quatro meses", disse Dorman.

Modelo "arcaico" do Into foi extinto

Sobre o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia(Into) e os recentes problemas na unidade de saúde, o ministro disse que extinguiu o sistema de agendamento da unidade, considerado por ele como "arcaico", e sugeriu que os seis hospitais federais do Rio também entrem no mesmo sistema informatizado, feito por uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde do Estado do Rio:

"O agendamento é feito a partir das clínicas da família e da unidade de saúde mais próxima, sem precisar ir até o Into. Na quinta, sexta, sábado e ontem, montamos um sistema de call center que agendou consultas para 3500 pessoas que já haviam passado pela triagem do Into", explicou Padilha, que arrematou: "O Into não pode e não será a única opção de traumatologia e ortopedia no Rio. Vamos expandir ainda mais a rede", propôs.

Delta irrita ministro

A nova sede do Into, construída no Caju, foi concluída em novembro de 2011 pela Delta Construções, investigada apósos escândalos envolvendo Carlinhos Cachoeira e cujo dono, Fernando Cavendish, é amigo de Sérgio Cabral.

Depois da inauguração, em novembro de 2011, uma parte do quarto andar do prédio desabou em maio de 2012. Sobre o fato da Delta ter sido a construtora do Into, Padilha demonstrou irritação:

"Vim aqui para falar de médicos", limitou-se a comentar o Ministro da Saúde.

No total, a obra da nova sede do Into, que ocupa o antigo prédio do Jornal do Brasil, zona portuária do Rio, consumiu R$ 198,10 milhões entre 2008 e 2012 – segundo dados do Portal da Transparência. A Delta recebeu R$ 192,8 milhões, o que corresponde a 97,36% do total desembolsado.

Segundo o relatório de auditoria anual de contas da CGU (n.º 201108819), feito em maio deste ano, foi encontrado um sobrepreço de R$ 23,5 milhões nos valores pagos à Delta.

Formação de profissionais

Padilha voltou então sua atenção para a formação de profissionais de medicina. Para ele, este é um aspecto fundamental das redes de saúde carioca e fluminense:

" Precisamos formar mais médicos, com qualidade e de acordo com as necessidades dos pacientes e especializados para um melhor atendimento. Já tivemos 3% de cobertura na atenção básica, e hoje são 50%. Não acredito, por exemplo, que o salário de R$ 12 mil, pago nas clínicas da família seja baixo. É preciso valorizar o médico", comentou o ministro.

Segundo Padilha, o Rio de Janeiro tem 4,6 médicos por mil habitantes, uma das maiores médias do Brasil, que é de 1,8 médicos por mil habitantes. O ministro, porém, diz que será montado um plano estratégico para aumentar este número. "Portugal e Espanha têm mais de três, Cuba tem seis, a Inglaterra, que é o maior sistema único de saúde depois do Brasil, tem 2,2 médicos por mil habitantes. Precisamos de um novo plano estratégico para formar médicos de acordo com nossas necessidades."

Nova ressonância chega ao Hospital

O Centro de Diagnóstico por Imagem da Secretaria de Saúde (SES), o Rio Imagem, completou um ano no último domingo (9) com a marca de 187 mil exames realizados.

Nesta terça-feira (11), com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi inaugurado o segundo equipamento de ressonância magnética da unidade, que vai aumentar a oferta em mil exames mensais para pacientes de todo o estado.

O novo aparelho realiza também ressonâncias do coração e da mama e é o primeiro e único do tipo na rede de saúde pública disponível a todos os usuários do SUS.

O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, também anunciou a chegada para 2013 do terceiro aparelho de ressonância magnética e de um PetScan, equipamento inédito na rede pública de saúde. Juntos, os novos equipamentos farão mais 8 mil exames por mês.

Com um sistema de marcação descentralizado, o Rio Imagem dispõe de um sistema em que as secretarias municipais de saúde podem agendar os exames online. Mais de 80% dos pacientes recebem os resultados dos exames realizados em menos de 20 minutos.