Rio: milícia que atua em Campo Grande adultera combustíveis

A milícia Liga da Justiça, que atua na zona oeste do Rio de Janeiro, aposta em atividades diversas, segundo a polícia. Além de atuar na exploração do transporte alternativo, cobrar mensalidade para garantir a segurança de determinadas áreas, abrir uma igreja que funcionava como escritório de agiotagem, o grupo também adulterava combustíveis. De acordo com a polícia, o "novo negócio" começou recentemente.

Na operação Pandora 2, a polícia do Rio prendeu 11 integrantes da milícia. Ao todo, eram 13 mandados de prisão. Foram apreendidos R$ 30 mil em espécie, três armas, cinco carros, um caminhão para adulterar combustíveis, além de documentos e memórias de computadores.

Um dos integrantes do banco tem uma distribuidora em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, e era a partir dali que o combustível era entregue a postos da zona oeste do Rio. Segundo a polícia, não há indícios de que os donos de postos que recebiam o material sabiam da adulteração. "Tudo indica que eles agiam de boa fé", o delegado Alexandre Capote, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), em relação aos proprietários dos postos.

As fraudes nos combustíveis envolvem também a obtenção de lacres falsos vindos de outros Estados, acréscimo de outras substâncias e utilização de notas fiscais fraudulentas.

A investigação da Draco começou há cerca de um ano. É um desdobramento da operação Pandora, que em setembro denunciou 17 pessoas ligadas à Liga da Justiça. O grupo era liderado pelos irmãos Natalino e Jerominho Guimarães, ambos presos no Mato Grosso, que já ocuparam cadeiras no legislativo fluminense.

Com a prisão dos irmãos, quem ascendeu no grupo foi o ex-PM Toni Ângelo, também conhecido como Erótico, pelo grande número de namoradas. Ele foi expulso dos quadros da PM do Rio em 2009, após ter sido flagrado andando armado no estacionamento de um shopping de Campo Grande, com outros dois milicianos. Segundo o subchefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, a prisão de Toni Ângelo é uma das prioridades dos investigadores, e acontecerá em breve.

"Já tivemos a oportunidade de prendê-lo nos últimos meses, por mais de uma vez. Mas não fizemos a operação por risco de confronto. Abortei a operação pelo risco de pessoas inocentes serem atingidas", contou.

Veloso admitiu que a presença de milícias torna "complicada" a situação na zona oeste. Ele ressaltou, no entanto, que a cada operação, as quadrilhas ficam mais fracas. Segundo o subchefe da polícia, o combate à Liga da Justiça vai continuar sendo prioritária.

"À medida em que operações são feitas, eles levam um baque. Tentam se reorganizar, e outros sobem na hierarquia. O Estado vai continuar tendo como prioridade debelar aquela quadrilha. A luta não vai parar", garantiu.