Delegado do Rio é preso no interior de SP por cárcere privado

Um delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro foi preso por suspeita de cárcere privado nesta segunda-feira em Palmital, distante 421 km da capital paulista. Além dele, outros quatro homens foram detidos sob a mesma acusação, entre eles um colombiano e um espanhol. O grupo teria tentado cobrar o dinheiro de uma dívida de uma destilaria de álcool do município, que foi vendida a um grupo de espanhóis. O montante de R$ 1 milhão não teria sido pago pelo proprietário, que teria dado a empresa como garantia de negócio ao grupo estrangeiro.

Os homens teriam sido contratados para forçar a negociação da dívida, mas informaram em depoimento à polícia local que a empresa não arcou com obrigações trabalhistas. Acompanhado de três homens, o delegado, que não teve o nome divulgado, chegou à destilaria em Palmital por volta da meia-noite de domingo, onde manteve dois vigias e outros dois funcionários trancados em uma das salas da empresa por sete horas.

A Polícia Militar foi acionada na manhã desta segunda, mas quando chegou ao local as vítimas já tinham sido liberadas na troca de turno entre os funcionários. Todos foram presos e encaminhados à delegacia local, onde os depoimentos se estenderam até o final da noite. Ao todo, 12 pessoas foram ouvidas. O policial fluminense relatou ao delegado titular de Palmital, Marcelo Armstrong Nunes, que não estava na cidade desempenhando sua função, e sim como amigo do grupo.

"Apesar dele relatar que não estivesse no local na postura de delegado, os funcionários da empresa foram mantidos em cárcere privado. Eles ofereciam água a cada meia hora. Apesar disso, pelo que apuramos, ele se identificou como delegado e estava armado", explicou Nunes. O fato foi informado à Corregedoria da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Uma pistola calibre .40 e outra calibre 9 mm, que pertencem à polícia carioca e estavam sendo utilizadas pelo delegado, foram apreendidas. O delegado titular de Palmital autuou os envolvidos por cárcere privado e estipulou fiança no valor de dois salários mínimos a cada um dos suspeitos. Um advogado do grupo esteve na delegacia e as fianças seriam pagas ainda na noite desta segunda-feira.