Paes defende remoções, construção de resort e desmonte de Velódromo

Consórcio erguerá espigões de 18 andares em 75% da área do Parque dos Atletas,  após 2016

Acompanhado de jornalistas estrangeiros, que vieram ao Rio conhecer as obras que estão sendo realizadas para os Jogos Olímpicos de 2016, o prefeito Eduardo Paes visitou as dependências do antigo Autódromo de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio - desativado para dar lugar ao Parque dos Atletas, que terá 1,18 milhão de metros quadrados e custará R$ 1,375 bilhão. 

Junto com a presidente da Empresa Olímpica Municipal (EOM), Maria Sílvia Marques, o prefeito foi bombardeado com questionamentos sobre as remoções de favelas cariocas para as obras dos Jogos - em especial a Vila Autódromo, que é vizinha ao Parque - , além de perguntas sobre o desmonte do atual Velódromo e a construção de um resort em antiga  Área de Proteção Ambiental (APA) na Praia da Reserva, no Recreio dos Bandeirantes (Zona Oeste).  

De acordo com o cronograma apresentado pela presidente da Empresa Olímpica Municipal (criada pela Prefeitura para a gestão dos Jogos Olímpicos), Maria Silvia Marques, a remoção será feita até o quarto trimestre de 2013.

De acordo com Maria Silvia e Eduardo Paes, a Parceria Público Privada (PPP) firmada com o consórcio Rio Mais (formado pelas construtoras Odebrecht Infraestrutura, Carvalho Hosken e Andrade Gutierrez) para a construção do Parque dos Atletas prevê a construção do Parque Carioca, um condomínio onde serão reassentados os moradores da Vila Autódromo. 

Segundo Paes, o empreendimento fica a 500 metros da atual área da comunidade.O espaço onde hoje está a Vila Autódromo será ocupado pelo Centro de Mídia (MPC), estacionamentos e estruturas provisórias da organização dos Jogos.

"Quando fizemos o concurso para o Plano Master do Parque Olímpico, não constava a remoção da Vila Autódromo porque eu queria ter, antes, uma opção para essas pessoas. Agora a prefeitura tem o terreno e tem o projeto do Parque Carioca, para onde elas serão levadas assim que os apartamentos estiverem prontos. Tudo isso a 500 metros da Vila Autódromo", disse Paes. "Dono de oficina que consertava carros no Autódromo, por exemplo, vão ficar de fora. Os apartamentos do Parque Carioca são para a população realmente carente, com escolas".

"Se pode construir em APAs"

Paes defendeu o projeto de construção do resort Hyatt, na Praia da Reserva, no Recreio dos Bandeirantes, que está sendo erguido em antiga área de proteção ambiental e contará com quatro prédios de seis pavimentos com um total de 436 apartamentos e mais dois condomínios residenciais de luxo:

"As pessoas tem a mania de dizer que não se pode construir em Áreas de Proteção Ambiental (APA). Isso não é verdade. Vamos mudar a lei para criarmos ali um parque e proteger o lugar de verdade. Além disso, o Rio ganha muito com esta obra do resort", disse ele, lembrando a necessidade de se aumentar em pelo menos 50% a capacidade hoteleira da cidade até os Jogos Olímpicos de 2016.

Velódromo

Paes também foi questionado sobre as declarações do presidente da Federação de Ciclismo, que pretende ingressar com ação judicial para ter um lugar para treinar, já que o velódromo construído para o Pan-Americano de 2007 será demolido. Os equipamentos do velódromo serão transferidos provisoriamente para Goiânia. 

De acordo com a Prefeitura, o novo velódromo faz parte dos quatro equipamentos esportivos que serão construídos para ficarem definitivamente no Parque Olímpico. Os outros são o novo Centro de Tênis, um novo Parque Aquático e uma quadra de handebol, que será desmembrada e reconstruída depois como quatro novas escolas municipais.

"Vou afirmar que o novo velódromo que será construído no Parque Olímpico será definitivo e de alta qualidade. É inaceitável que um presidente de Federação faça demagogia. Ele está preocupado é com o desconforto de treinar em Goiânia. Se eu fosse ciclista, também preferia treinar no Rio", disse o prefeito, frisando que caso o velódromo fosse mantido teria que passar por obras, o que impediria sua utilização de qualquer forma.

Espigões em 75% do Parque dos Atletas

O que não apareceu na explanação de Paes, Maria Silvia e a equipe do Comitê Rio 2016 que participou do evento foi o fato de que 75% da área de 1,18 milhão de metros quadrados serem transformados em prédios de até 18 andares - os conhecidos 'espigões'.

Questionado pelo Jornal do Brasil sobre estudos do impacto da construção dos arranha-céus naquela área e sobre a deficiência do saneamento básico na região da Barra da Tijuca, o prefeito Eduardo Paes crê que isto não será problema:

"Vai ter saneamento básico, vamos ter tudo", limitou-se. 

Como já era de se esperar, Maria Sílvia, da Empresa Olímpica, seguiu no mesmo sentido:

"O gabarito do bairro que vai ser formado na área do Parque dos Atletas depois dos  Jogos é o mesmo do restante da região: 18 andares. Depois da Olimpíada, a área vai virar um grande bairro e será administrado pelo consórcio durante 15 anos. O saneamento básico não será problema", afirmou.