Secretário de Cabral pode ser alvo de Comissão de Ética 

Viagem de Wilson Carlos foi bancada por empresário

Baseado nas denúncias feitas pela revista Veja de que o secretário estadual de Governo, Wilson Carlos, teria viajado a convite do empreiteiro Saulo Wanderley Filho, dono da construtora Cowan, para uma ilha paradisíaca do Caribe, o deputado estadual Paulo Ramos (PDT), resolveu ingressar com um pedido de avaliação na Comissão de Ética Pública Estadual (Cepe). 

O órgão - criado pelo governador Sérgio Cabral para abafar a polêmica em torno do acidente aéreo em Trancoso, no interior da Bahia, quando ele e sua família viajavam em helicópteros do bilionário Eike Batista - pode punir Carlos caso julgue que ele faltou com a ética da administração pública.

Também participaram da viagem o secretário municipal de Urbanismo, Sérgio Dias, e o empresário George Sadalla, responsável pelo Rio Poupa Tempo, acompanhados por suas esposas. O passeio para a Ilha de Saint Barths foi realizado em um jatinho alugado pela empresa e os convidados ficaram alojados em uma casa também paga pela Cowan.

Paulo Ramos, que também entrou com uma representação no Ministério Público sobre o tema, decidiu procurar a comissão, mesmo dizendo que sua atuação é limitada pelo governador:

"Acionei a Comissão de Ética Pública porque foi criado um Código de Ética Pública depois daquela tragédia em Trancoso. Para se distanciar de qualquer irregularidade, Cabral disse que não havia regra que condenasse a atitude. É uma comissão chapa branca, mas vamos ver o que vai decidir diante desse caso explícito. Vamos ver se as instituições vão funcionar. Está comprovado o procedimento antiético, mas existe também possibilidade de irregularidade com dinheiro público", acusou.

Além da viagem em si, o parlamentar considera grave o fato de o governo, em comunicado oficial, ter dito que não havia contratos atuais com a Cowan, informação posteriormente desmentida pela imprensa:

"O governo mentiu dizendo que havia inexistência do contrato. Mentiu oficialmente para acobertar a conduta de um secretário", criticou Ramos.

Membro da comissão, a desembargadora aposentada Doris de Castro Neves, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ), disse que ainda não tomou conhecimento do pedido de Paulo Ramos, mas garantiu que ele será avaliado com celeridade:

"Se um deputado faz um pedido à Cepe, com certeza vamos aceitá-lo. Não recebi nenhuma comunicação sobre o assunto, mas acredito que depois do feriado sejamos comunicados", afirmou.

Mesmo com poderes punitivos, Doris de Castro Neves ressaltou que o papel do grupo é tratar apenas de desvios éticos de funcionários públicos. Investigar ilegalidades não está no escopo dos trabalhos:

"A Comissão de Ética Pública, por principio, investiga se há algo relativo à ética na administração pública. Se existirem indícios de algo ilegal, há outras instâncias competentes para tratar da questão", explicou.