Polícia pede prisão de suspeitos por chacina na Chatuba 

A Polícia Civil pediu na tarde desta quarta-feira a prisão temporária de sete traficantes suspeitos de participação na chacina da favela da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense. Entre os acusados está Remilton Moura da Silva Júnior, o "Juninho Cagão", apontado como chefe do tráfico naquela comunidade. O pedido foi encaminhado pelo delegado Júlio da Silva Filho, titular da 53ª DP (Mesquita).

As autoridades trabalham com a informação de que pelo menos 10 pessoas do bando de Remilton teriam participado da chacina. Além dos seis jovens, que foram enterrados nesta terça-feira em Nilópolis, o grupo teria assassinado também o pastor Alexandre Lima, 37 anos, e o cadete da Polícia Militar Jorge Augusto de Souza Alves Junior, 34, no mesmo dia. José Aldeci da Silva Junior, que teria presenciado a morte do pastor, pode ter sido capturado pelos bandidos porque ainda segue desaparecido.

Operação na Chatuba

A Polícia Militar iniciou nas primeiras horas de ontem a ocupação permanente na comunidade. No local será implantada uma Companhia Destacada da Polícia Militar com 112 PMs. Cerca de 250 policiais militares do 3º Comando de Policiamento de Área (CPA), Coordenadoria de Inteligência (CI), Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), Batalhão de Ações com Cães (BAC), Grupamento Aeromarítimo e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) participam da ação. A onda de violência - no mínimo 12 mortes em três dias - levaram o comando da Corporação a tomar esta decisão.

Policiais do Bope localizaram quatro acampamentos que seriam usados pelos traficantes da favela da Chatuba. No final da tarde, também foi descoberto um gerador no alto do morro para o refino de cocaína. Chegou a 19 o número de pessoas presas durante a ocupação. Dez suspeitos foram presos em flagrante, entre eles, Ricardo Sales da Silva, 25 anos, e Monica da Silva Francisco, 20 anos.

Um homem identificado apenas como Beto Gorducho estava em uma casa com 50 g de cocaína e R$ 15 mil em espécie. Outro conhecido como Bolota foi encontrado com uma arma, R$ 12.150 e um caderno de agiotagem.

Dois adolescentes foram apreendidos, sendo que um deles estava foragido de uma instituição para jovens infratores. Uma rádio pirata também foi achada na Chatuba. O dono foi levado para a delegacia para prestar esclarecimento.

A chacina

Desaparecidos desde a tarde de sábado, quando saíram para ir a uma cachoeira de Gericinó, na zona norte do Rio, os seis jovens foram encontrados mortos na manhã de segunda-feira. Operários foram os primeiros a avistar os corpos, que apresentavam diversas marcas de tiros.

Todos os jovens, com idades entre 15 e 19 anos, foram reconhecidos pelos familiares. Eles moravam em Nilópolis, também na Baixada. Os adolescentes foram identificados como Christian Vieira, 19 anos; Glauber Siqueira, Victor Hugo Costa e Douglas Ribeiro, 17 anos; e Josias Serles e Patrick Machado,16 anos.

O motivo da chacina segue sendo investigado. A polícia trabalha com a hipótese de que os jovens tenham sido capturados por traficantes locais, rivais da facção criminosa que comanda a região em que moravam as vítimas.