Carro de Thor Batista parecia em 'fuga policial', diz testemunha 

Oito testemunhas foram ouvidas, nesta quarta-feira, na primeira audiência do processo em que Thor Batista, 20 anos, filho do empresário Eike Batista, é acusado de homicídio culposo - quando não há intenção de matar - por atropelar e matar o ciclista Wanderson Pereira dos Santos, 30 anos, em março deste ano. A audiência foi realizada em Duque de Caxias (RJ), mesma cidade onde ocorreu o acidente. De acordo com um estudante de medicina ouvido no processo, Thor andava tão rápido que parecia estar em uma "fuga policial".

Segundo Delcio Aparecido Durso, que alegou trafegar pela rodovia Washington Luis com velocidade entre 100 e 110 km/h - máxima permitida no trecho -, o veículo dirigido pelo filho de Eike Batista "ultrapassou e se distanciou muito rápido" de seu carro. Ele afirmou que só percebeu a ultrapassagem "pelo ronco do motor".

Outras testemunhas, contudo, alegaram que Thor trafegava dentro da velocidade permitida. Segundo o motorista de ônibus Germano Amorim Lima, a Mercedes do acusado o ultrapassou "a mais de 100 km/h". Já o caminhoneiro Carlos Renato das Neves Costa negou que o filho de Eike andasse em alta velocidade, "pois deu tempo dele admirar o carro de Thor", de acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça do Rio.

Balian Racca, amigo de Thor, e que estava no carro no momento do acidente, declarou que o veículo tinha velocidade de aproximadamente 100 km/h. Ele afirmou que, na ocasião, se depararam com a vítima no meio da pista em um trecho escuro e sem sinalização. Segundo Racca, era um ângulo muito ruim e escuro e que, quando o farol iluminou, a vítima já estava muito próxima do automóvel.

Na audiência de hoje também foram ouvidos dois técnicos de enfermagem que atenderam à ocorrência, um policial rodoviário que trabalha no trecho, além do motorista particular do réu, que seguia o carro de Thor no dia do atropelamento. A continuação dos depoimentos foi marcada para o dia 13 de dezembro.

Thor atropelou Wanderson Pereira dos Santos no dia 17 de março, quando dirigia uma Mercedes-Benz SLR McLaren na BR-040, em Duque de Caxias. A vítima morreu depois de ser arremessada, pelo impacto do carro, a uma distância aproximada de 65 m. Thor estava habilitado para dirigir desde dezembro de 2009.