TJ-RJ quer colaboração de clubes contra violência de torcidas 

Os episódios de violência envolvendo torcidas organizadas de clubes de futebol na capital fluminense têm preocupado as autoridades da área de segurança do estado. Para discutir medidas de combate ao problema, eles se reuniram ontem (4) com dirigentes dos principais clubes, na sede do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Os representantes dos clubes se comprometeram a enviar propostas, até a próxima semana, com medidas para evitar confrontos entre torcedores nos dias de jogos.

O presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), desembargador Manoel Alberto Rebêlo, disse que não vê necessidade de mudanças no Código Penal para enquadrar integrantes de torcidas organizadas envolvidos em atos de violência. Ele estuda a possibilidade de adotar medidas mais rigorosas para manter a ordem durante os jogos.

Uma delas seria a suspensão dos clubes ou a interdição dos estádios, se comprovado que um eventual problema poderia ter sido evitado pelos diretores de agremiação. ''Nós iremos tomar as medidas necessárias. Estamos em uma fase em que não podemos nos omitir. Ou nós temos a coragem de fazer o que precisa ser feito ou seremos responsabilizados pela nossa omissão", disse.

O presidente do TJRJ defendeu a ampliação do Juizado Especial Criminal (JeCrim), órgão que atua em estádios fluminenses. Atualmente, segundo Rebêlo, o juizado está presente nos dois aeroportos do Rio e nos estádios João Havelange (Engenhão) e de São Januário (do Vasco da Gama).

O desembargador garantiu que assim que terminar a reforma, o Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, também terá um espaço reservado para o JeCrim. De acordo com ele, é possível que a Rodoviária Novo Rio receba nos finais de semana uma equipe do juizado, porque torcedores vindos de outros municípios descem no terminal para assistir aos jogos dos seus clubes no Rio.

Já o presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, Rubens Lopes, disse que a possibilidade de suspender os clubes ou responsabilizá-los por ações criminosas de torcidas organizadas precisa ser analisada mais profundamente. "Eu acho que a gente precisa fazer uma reflexão a respeito dessa hipótese, até porque nem sempre o clube pode se responsabilizar pelas atitudes de terceiros. Talvez seja uma medida muito rigorosa. Não sei, mas nós vamos analisar", declarou.

O chefe de Polícia Civil fluminense, delegada Martha Rocha, lembrou que o passo mais importante dado pelo órgão foi a autuação e a prisão de jovens envolvidos em ações criminosas. De acordo com ela, a polícia tem feito um rigoroso trabalho de investigação para monitorar e identificar as pessoas envolvidas em ações de violência durante os jogos de futebol.