"São os 3,30m mais perigosos do Rio de Janeiro"

Definição do corredor Transoeste é do vice-presidente do Crea-RJ, após vistoria

O corredor exclusivo de ônibus da Transoeste, na Barra da Tijuca, tornou-se motivo de atenção para as autoridades. O motivo é a alta quantidade de acidentes desde que o BRT passou a funcionar, em junho deste ano. Em função da quantidade de reclamações, o Conselho Regional de Agronomia e Arquitetura do Rio de Janeiro(Crea-RJ) realizou uma vistoria na manhã desta quarta-feira(5) no terminal Bosque da Barra.

As sugestões mais ouvidas durante a fiscalização foram a instalação de grades ou barreiras, a relocação do ponto de ônibus já destacado, além da construção de uma passarela. Será posta em discussão também a obrigatoriedade de parada dos ônibus nos terminais, a fim de diminuir a velocidade dos veículos em uma área tão movimentada. 

Acidentes mortais

Desde o dia 6 de junho, nove acidentes já ocorreram no local, com quatro atropelamentos e cinco colisões. O número de mortos também é alarmante: quatro pessoas perderam a vida no terminal. O último acidente foi no dia 31 de agosto, quando duas pessoas ficaram feridas em uma batida envolvendo um carro de passeio e um ônibus BRT.

O vice-presidente do Crea-RJ, Jaques Sherique, explicou o motivo da vistoria realizada hoje:

" A ideia é que venhamos vistoriar e pensar em algumas melhorias para encaminhar à concessionária do sistema(Rio Ônibus).", explicou Sherique, que em seguida deu um exemplo de como essa ajuda poderia ser colocada em prática." Ao chegar aqui, observamos que o ônibus seguiu direto, sem parar no terminal. Os que atravessam podem imaginar que o coletivo vai parar na estação, o que pode causar um acidente. A área aqui é bastante movimentada, tem inclusive uma escola próxima. As pessoas precisam conciliar os veículos com os ônibus na hora de atravessar", observou.

Luis Cosenza, coordenador da Comissão de Análise e prevenção do Crea-RJ, colocou a imprudência dos motoristas como o principal motivo de acidentes na região." Os carros que vêm pela pista do meio da Avenida das Américas e querem fazer o retorno para o outro lado acabam passando na frente da pista do BRT. Os ônibus às vezes não param, e aí ocorrem os acidentes. É uma imprudência que pode custar vidas", alertou.

Também é possível notar que um ponto de ônibus duas pistas à frente do terminal, fica a cerca de 70 metros do sinal de trânsito. Algumas pessoas atravessavam ali, com o objetivo de chegar mais rapidamente ao terminal Bosque da Barra.

No momento em que era medida a largura da pista, com o auxílio de uma trena, a declaração de Sherique surpreendeu:" São os 3,30 mais perigosos do Rio de Janeiro".

Após análise do Crea-Rj, um relatório será entregue à Prefeitura e à Rio Ônibus em 15 dias. A resposta oficial sobre a área pode demorar de uma a três semanas para ser divulgada.