Uerj repudia invasão do campus pela Tropa de Choque

Policiais usaram bombas de efeito moral para dispersar grevistas

O repúdio à invasão do Batalhão de Choque da PM na última quinta(23) foi consenso na coletiva que reuniu nesta quinta-feira(30) diversas entidades nos auditórios da Universidade Estadual do Rio de Janeiro(Uerj). Durante o  incidente, o batalhão ocupou o campus do Maracanã e usou bombas de efeito moral para dispersar os grevistas que lá protestavam.

O encontro teve início com a leitura da nota de repúdio à invasão da Uerj, seguido da exibição de um vídeo mostrando o início da confusão com o Batalhão de Choque.  Os discursantes pediram esclarecimento sobre de onde teria partido a chamada para a Polícia Militar. Eles apontaram que a autorização teria vindo da direção da universidade, apesar de o reitor da Uerj ter divulgado nota afirmando que não solicitou a entrada da PM.

A maior parte do auditório estava ocupado para a coletiva. Além da comunidade acadêmica, estavam presentes representantes do Grupo Tortura Nunca Mais, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. 

O vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB , Marcelo Chaulréo, descreveu o episódio  como “lamentável”. Ele considerou a presença do Batalhão de Choque como ‘absolutamente inadequada’ e questionou a postura da reitoria, uma vez que “as autoridades universitárias deveriam ser as primeiras a proteger os estudantes”.

O coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais, Jorge Gaúcho, também apontou a reitoria como  possível responsável pela chamada do batalhão. Gaúcho disse que na semana anterior a Polícia Militar já havia sido chamada para o prédio da reitoria, quando estava prevista uma reunião dos grevistas. Gaúcho lembrou ainda que “estranhamente, a energia da universidade foi cortada horas antes do incidente”.

Última a falar, a professora Maria Luiza Tambellini, questionou em tom irônico a ausência do reitor na coletiva "se o reitor se solidariza, cade ele?".

A comunidade acadêmica espera que o governador Sergio Cabral, a Reitoria e o Comando Geral da Polícia Militar se pronunciem a respeito do ocorrido.