Moradores da Rocinha aprendem a fabricar móveis

Com um pouco de técnica, muita criatividade e mãos habilidosas, moradoras da Rocinha aprenderam a transformar madeiras descartadas por canteiros de obras em móveis de valor agregado. Numa iniciativa do Trabalho Social do Escritório de Gerenciamentos da Secretaria da Casa Civil (EGP-Rio), o workshop “Fabricando Móveis” foi realizado, nesta quarta-feira (15), na sede da União de Mulheres Pró-Melhoramentos da Roupa Suja.

As moradoras ouviram atentamente as explicações da mestranda em arquitetura e urbanismo do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Michella Barone Lumaga, responsável pelo projeto. Depois de aprenderem noções de design, as alunas colocaram a “mão na massa” utilizando madeira e pregos doados pelo Consórcio Rio-Barra. O material foi descartado de canteiros de obras da Linha 4 do Metrô.

– A ideia é implementar o uso de restos de madeira reciclada para desenvolver objetos para a vida cotidiana. Essa madeira não é lixo. É material orgânico que pode ser reaproveitado. O objetivo é que, no futuro, essas mulheres aprendam a fazer coisas bonitas que possam vender e ter um trabalho – afirmou Michella.

A dona de casa Josefa Ferreira da Costa nunca havia manipulado madeira, mas achou fácil fazer os móveis. Enquanto pregava os pedaços de madeira lixados, ela revelou ansiedade para ver o resultado.

– Eu estou tentando fazer um banquinho para usar na minha casa, mas não sei se vai dar certo. Vamos ver o que vai sair – brincou a moradora.

Demonstrando habilidade, Renata Nunes, de 25 anos, foi a primeira a concluir o trabalho: fabricou um banco.

– Na primeira vez, deu errado. Mas eu troquei a madeira e, depois, consegui fazer. Vamos construir móveis para a creche da associação e queremos montar uma barraca para vender os produtos para os turistas – disse a jovem.

A presidente da União de Mulheres Pró-Melhoramentos da Roupa Suja, Márcia Costa, elogiou a iniciativa.

– Isso vai ajudar porque muitas famílias não têm condições financeiras de comprar móveis e, futuramente, elas poderão vender esses objetos e gerar renda. Além disso, contribui para a sustentabilidade porque aproveita madeira que iria para o lixo – destacou Márcia.

O projeto foi realizado também, há duas semanas, no Pavão-Pavãozinho. Segundo a coordenadora do Trabalho Social da EGP-Rio da Casa Civil, Gabriela Bessa, a intenção é levar mais iniciativas como essa para as comunidades.