Professores da UFRJ estendem a maior faixa de greve do mundo

Os professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estenderam, nesta terça-feira (14), a maior faixa de greve do mundo no prédio do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, na Ilha do Fundão. 

Balões e fogos de artifício acompanharam o desfraldar da faixa de 34 metros de comprimento e 80 quilos. 

Vinte pessoas trabalharam na confecção do material, onde foram costuradas as palavras: SOS, GREVE UFRJ .

>> Governo inicia reuniões com servidores em greve

“Queremos chamar a atenção da sociedade e sensibilizar o governo para reabrir as negociações com os docentes. Mesmo do avião, acreditamos que a presidente Dilma vai enxergar essa faixa”, brinca o professor Luiz Carlos Paternostro, lembrando que a faixa será inscrita no Guinness Book (Livro dos Recordes) como maior faixa de greve do mundo.

Enquanto isso, o governo federal inicia nesta terça-feira as reuniões para negociar com os servidores federais em greve. O Ministério do Planejamento confirmou que havia encontros agendados de manhã e à tarde, destinados a discutir a pauta de reivindicações dos setores paralisados.

O tema pela manhã seria a equiparação salarial de 18 categorias com os vencimentos do Executivo contemplados pela Lei 12.777/2010. À tarde, a discussão será sobre as reivindicações de funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

As rodadas de negociação com os servidores ocorrem após reunião da presidente Dilma Rousseff com seus ministros na manhã de ontem, para falar sobre as paralisações no funcionalismo público. 

Dilma se encontrou com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e com os ministros da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho; da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams. Também participou das discussões a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. A presidente tenta encontrar brechas no Orçamento de 2013 para oferecer reajuste aos grevistas. 

Mas, alheios às negociações, servidores de mais de 30 órgãos federais protestam desde o início da manhã de hoje (14) em frente ao Ministério do Planejamento. O objetivo da manifestação é pressionar o andamento das negociações do movimento grevista com o governo. Os servidores querem reposição de perdas salariais e melhores condições de trabalho.

“Espero que o governo nos atenda. Ameaçar cortar o ponto é insuficiente para acabar com greve. Espero que o governo possa negociar com a gente os dias parados. Até agora, não foi apresentado nada em relação à isso”, disse Carlos Abreu, diretor nacional da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef).

Carlos Abreu reclama que o governo tem adiado a negociação para fechar a proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA), sem prever o reajuste salarial para os servidores. “Isso é uma estratégia de empurra. Já vimos isso no ano passado.”

“O governo tem que se abrir. Estamos na luta porque estamos defasados”, disse Valda Cardozo de Souza, diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal (Sindsep-DF).

Cada categoria em greve foi para as ruas com camisas e coletes de cores diferentes, portando faixas e fazendo barulho com apitos, cornetas e fogos de artifício. Os manifestantes estão concentrados nos estacionamentos em frente à cada órgão. O protesto não atrapalhou o trânsito no Eixo Monumental, via que corta a Esplanada dos Ministérios, e que flui normalmente.