Protesto em Copacabana relembra juíza assassinada

Patrícia Acioli foi assassinada em agosto do ano passado com mais de 20 tiros

A ONG Rio de Paz realizou na manhã desta sexta-feira (10) um protesto para relembrar a morte da juíza Patrícia Acioli, assassinada em 11 de agosto de 2011 por dois homens armados na porta de sua casa, em Piratininga. Projéteis gigantes foram colocados na areia para simbolizar os 21 tiros levados por Patrícia.

Parentes de outras pessoas desaparecidas e assassinadas também estiveram na praia na manhã de hoje. Neste sábado(11) será realizada a missa de um ano da morte de Patrícia Acioli, na Avenida Chile, às 11h, Centro do Rio. Haverá também às 18h um ato na Praia de Icaraí, com os projéteis gigantes, além de uma homenagem preparada para a juíza.
"  Teremos a mesma homenagem que fizemos hoje em Copacabana, além de depositarmos velas e flores em frente a uma árvore. Essa árvore receberá o nome da Patrícia, com uma placa que diz: Em memória da juíza Patríca Acioli, que em dias de menosprezo à vida e impunidade combateu, com autonomia e coragem, o crime organizado no Rio de Janeiro" declarou Antônio Carlos Costa, presidente da Rio de Paz.

Juíza estava em "lista negra" de criminosos

A juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, foi assassinada a tiros dentro de seu carro, por volta das 23h30 do dia 11 de agosto, na porta de sua residência em Piratininga, Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, ela foi atacada por homens em duas motos e dois carros. Foram disparados mais de 20 tiros de pistolas calibres 40 e 45, sendo oito diretamente no vidro do motorista.

Patrícia, 47 anos , foi a responsável pela prisão de quatro cabos da PM e uma mulher, em setembro de 2010, acusados de integrar um grupo de extermínio de São Gonçalo. Ela estava em uma "lista negra" com 12 nomes possivelmente marcados para a morte, encontrada com Wanderson Silva Tavares, o Gordinho, preso em janeiro de 2011 em Guarapari (ES) e considerado o chefe da quadrilha. Familiares relataram que Patrícia já havia sofrido ameaças e teve seu carro metralhado quando era defensora pública.

Investigações apontaram a participação de policiais no crime e, dessa forma, foram denunciados à Justiça 11, que serão levados a júri popular. Todos respondem por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, mediante emboscada e com o objetivo de assegurar a impunidade do arsenal de crimes) e, a exceção de um, também são acusados de formação de quadrilha armada. Entre os indiciados está o tenente-coronel Cláudio Oliveira, que na época comandava o Batalhão da Polícia Militar de São Gonçalo, onde era lotado todo o grupo suspeito. No inquérito, ele é apontado como o mentor da execução.

Com Portal Terra