Metrô é criticado após incidente

Princípio de incêndio abre questionamentos sobre conservação dos trens

O incidente ocorrido no metrô na manhã desta terça-feira(07) voltou a criar dúvidas sobre a conservação do meio de transporte no Rio de Janeiro. Há ainda uma nuvem de fumaça a respeito da utilização dos novos carros vindos da China, cuja estreia nos túneis cariocas está prevista para o final deste mês.

De aço inox, a vida útil dos carros usados pelo Metrô Rio é de 30 anos, passíveis de ser prorrogados pelo mesmo período desde que não contenham nenhuma falha estrutural. Como o metrô foi inaugurado em março de 1979, não é difícil supor que alguns dos carros tenham de ser trocados em breve, ou recebam manutenção preventiva, como explica José Eugênio Leal, professor de engenharia de transporte da PUC-RJ. " Se houver uma manutenção que previna os danos ao trem, mesmo os carros mais antigos podem ser utilizados. É realmente estranho que este tipo de problema tenha acontecido", comentou.

Em nota, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro(Agetransp) informou que já abriu um processo para apurar os motivos da "avaria" no vagão. Recentemente, a mesma entidade multou o metrô em R$ 82.706,00, como punição pela paralisação das linhas 1 e 2 no dia 21 de junho de 2011.

Alguns comerciantes presenciaram a confusão de dentro do metrô. "Houve uma faísca no trem e começou a sair muita fumaça. Em 15 minutos, porém, tudo já estava sob controle e as pessoas que saíram da plataforma receberam o atestado de atraso", descreveu uma usuária que se identificou como Cristiane, e chegou ao metrô da Uruguaiana por volta de 7h.

O novo carro importado da China, testado em julho, começará a circular no final deste mês, segundo o Metrô Rio. Até março de 2013, todos os 19 trens, comprados pelo valor de R$ 320 milhões, estarão sendo usados pelos passageiros, acrescenta a entidade. Em maio de 2011, a concessionária foi multada em  R$ 374 mil por não ter colocado os novos trens chineses em circulação em agosto de 2010, como fora acordado na compra das composições, em 2007.

O projeto, no entanto, foi alvo de uma saraivada de críticas ao se constatar que os túneis e estações precisariam ser ajustados para receber os novos trens, feitos de um modelo mais leve, sujeito a sofrer colisões laterais. Para o professor Leal, isso é sinal de falta de planejamento. "Se o desenho dos carros era esse, o que já era sabido muito antes da compra, os ajustes deveriam ter sido feitos com antecedência", ponderou o especialista.

Em nota, o Metrô Rio esclareceu o caso: 

"O evento nesta terça-feira (07) foi um problema pontual rapidamente pela equipe de manutenção. Toda a frota da Concessionária passa por manutenção contínua, o que estende o tempo de vida útil das composições.O Metrô Rio afirmou ainda que os 19 novos trens adquiridos pela Concessionária possuem as medidas compatíveis para a perfeita operação em linha. A primeira composição, que chegou ao Rio em abril e começará a operar no final de agosto, realiza, desde o início de junho, testes diários na via durante as madrugadas. Como parte da etapa final de preparação, o trem passa, também, desde o dia 21 de julho, por comissionamento durante o horário comercial, nas noites do final de semana, no trecho compreendido entre Colégio e Pavuna, na Linha 2. No último dia 18 de julho, a Concessionária realizou uma viagem com jornalistas no novo trem, em que os profissionais de imprensa puderam constatar e referendar, in loco, que os preparativos estão dentro da normalidade.

O procedimento realizado em plataformas não foi motivado pelo suposto risco de colisão nas paredes dos túneis. Consiste, na verdade em um dos 54 projetos desenvolvidos pelo MetrôRio para a adaptação dos sistemas de operação dos trens antigos e dos trens atuais. O objetivo desta obra é padronizar a distância do trem para a plataforma em 9cm. Esta padronização é conveniente para potencializar a possibilidade de manobras à composição em caso de problemas de suspensão."

Enquanto os novos trens não chegam, a população sofre com a superlotação dos trens, como testemunha o professor de inglês João Vitor Brito: " Enquanto no horário de pico passa um metrô a cada dois minutos em direção à Zona Sul, rumo à Zona Norte passa um a cada quatro minutos. Só que os usuários que vão pra Zona Norte são bem mais que o dobro. É um serviço do qual todos dependem e as linhas foram muito mal feitas, de modo que a superlotação vai continuar a ser um problema".