Candidatos assinam pactos por transparência e criticam nova ausência de Paes

Seis dos principais candidatos à prefeitura assinaram pactos de sustentabilidade e transparência propostos por organizações da Sociedade Civil, no evento "Copa, Olimpíadas e eleições: qual é o legado para a sua cidade?", realizado hoje no Clube de Engenharia.

Mais uma vez, Eduardo Paes, atual prefeito e candidato à reeleição, faltou ao encontro, tornando-se alvo de duras críticas por parte dos adversários. Aspásia Camargo (PV), Marcelo Freixo (PSOL), Otavio Leite (PSDB) e Rodrigo Maia (DEM) falaram por oito minutos e reforçaram seus compromissos com gestão responsável dos preparativos para a Copa do Mundo e a Olimpíada.

Os prefeitáveis foram unânimes ao criticar a falta de transparência nos gastos para a Copa e os Jogos Olímpicos, assim como a falta de um planejamento para toda a cidade do Rio. Aspásia Camargo, a primeira a falar, relatou sua experiência como participante da Comissão do Legado dos Mega Eventos Esportivos da Assembleia Legislativa. Segundo ela, os dados de execução orçamentária dos eventos são confusos e, por isso, "não é fácil fiscalizar os Jogos e a Copa". Ela ainda aponta medidas básicas para garantir o legado social, esportivo e ambiental que não estão sendo adotadas:

"Na Barra, onde os jogos olímpicos terão sua maior visibilidade, a prefeitura está propondo uma Estação de Tratamento de Rios que é um mero filtro, ao invés de propor, como seria normal, a coleta e o tratamento de lixo e esgoto da região. As lagoas da Barra estão morrendo", alertou.

Ela lembrou ainda que o fomento à formação de atletas não é feita de maneira adequada:

“Ações simples como a cobertura das quadras esportivas dos colégios precisam ser implementadas, o que não acontece. Precisamos saber exatamente o que vamos formar nessas Olimpíadas. Todos os grandes atletas que tive a oportunidade de conhecer têm uma queixa fundamental: não há apoio do governo. Os atletas estão pobres, isolados e abandonados na luta pelo pódio", lembrou.

Freixo começou seu pronunciamento usando o plano de metas para criticar a ausência de Paes. Aos organizadores do evento, a assessoria do prefeito deu uma justificativa para sua ausência: tudo que seria pactuado já era praticado no seu governo. Virou motivo de chacota dos demais participantes. O psolista, com ironia, sintetizou a indignação de todos:

"Deveríamos colocar como meta reduzir também o grau de cinismo do atual prefeito. É no mínimo um escárnio com tudo o que está sendo discutido aqui", disparou.

Ele destacou a importância dos próximos quatro anos para o futuro do Rio. Em sua opinião, os maciços investimentos se tornarão uma quebra de paradigma:

"Daqui a quatro anos o Rio será uma outra cidade. Pode ser muito melhor ou muito pior, dependendo do que fizermos. É preciso ampliar o debate da cidade", defendeu. 

Entre suas plataformas, está o aumento da transparência e da participação popular nas decisões da administração municipal. Ele prometeu fortalecer os conselhos comunitários e criticou Paes:

"O prefeito descumpre sistematicamente a legislação. Aliás, esse país é campeão por ter boas leis que não são cumpridas".

Mais otimista, Otavio Leite pregou que a cidade deve aproveitar o volume de investimentos que receberá por contas das competições:

"O Rio vai receber quase metade dos recursos que a União tem disponíveis para investimentos. Quando haveríamos de ter essa oportunidade?", questionou.

O tucano foi voz dissonante no que tange ao Pan-Americano de 2007: enquanto os demais candidatos o citavam como exemplo de legado inexpressivo e superfaturamento, Leite disse que ele foi bom para a cidade, por possibilitar a conquista da sede olímpica.

Último a se pronunciar, Rodrigo Maia criticou a falta de um planejamento para toda a cidade:

"A revitalização da Zona Portuária custará R$ 8 bilhões e, com a visão apenas do interesse privado, inviabilizou a moradia popular no Centro do Rio, que fazia parte do planejamento de tantos urbanistas. O Eduardo Paes elevou o metro quadrado a valores insustentáveis. Isso já mostra que não há um planejamento em termos de cidade", criticou.

Ele citou ainda as comissões de licitação, "que ninguém viu ou ouviu falar" em sua crítica à atual gestão:

"Mais de 90% dos gastos na saúde são dispensas de licitação ou compras emergenciais", revelou.