Polícia encerra buscas por corpo de engenheira. Irmão faz apelo a Cabral

A Divisão de Homicídios da Polícia Civil, Ministério Público do Rio de Janeiro e o Corpo de Bombeiros deram por encerrada, no início da tarde desta sexta-feira, os trabalhos de busca pelo corpo da engenheira Patrícia Amieiro, desaparecida há quatro anos, no sítio Vitória, localizado no bairro do Itanhangá, na Zona Oeste da cidade. O trabalho estava sendo feito há quatro dias.

De acordo com o titular da Delegacia de Homicídios, Rivaldo Barbosa, o caso será encaminhado para o Ministério Público. O tenente-coronel dos Bombeiros, Vitor Leite, destacou que foram utilizados cães e todo o aparato disponível para vasculhar o local. "Entramos até numa gruta pensando que poderíamos achar alguma coisa, mas não encontramos nada. Os trabalhos estão encerrados", complementou.

Bastante emocionado, o irmão de Patrícia, Adriano Amieiro, fez um apelo ao governador do Estado do Rio de Janeiro e ao secretário de Segurança Pública. "A gente que é irmão, é muito difícil ver que o trabalho acabou. A gente sempre quer algo mais. Eu reconheço o trabalho da polícia, mas a gente acredita que ela está aqui, são quatro anos de agonia, eu faço um apelo ao (Sérgio) Cabral e ao (José Mariano) Beltrame para que fiquem mais um pouquinho aqui, por favor", pediu.

De acordo com Felipe Soares Morais, procurador de Justiça responsável pelo caso, o Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos do Ministério Público do Rio de Janeiro "vai continuar buscando informações que possam levar ao paradeiro da Patrícia, mas infelizmente, hoje, não logramos êxito. Neste local, as buscas estão encerradas."

Força tarefa

Uma força-tarefa composta por 30 bombeiros, cães farejadores, agentes da Divisão de Homicídios e do Ministério Público trabalharam nas buscas pelos restos mortais da engenheira Patrícia Amieiro, desaparecida desde 2008. A procura pelo corpo foi reiniciada esta semana depois que uma denúncia anônima foi passada ao Ministério Público.

As buscas foram feitas no Sítio Vitória, na comunidade da Muzema, no Itanhangá, mais especificamente na localidade conhecida como Bicão. O sítio é famoso na região pelos bailes que realizava nos finais de semana. O proprietário do espaço, que é citado no relatório da CPI das milícias como integrante de um grupo paramilitar que atua nas comunidades Muzema e Rio das Pedras, ambas da Zona Oeste, ainda não foi encontrado pela polícia.

Nas buscas desta quinta-feira (12), os agentes encontraram uma meia-calça, uma calça e sapatos femininos que podem ser da engenheira. Segundo informações de familiares, no dia que sumiu, Patrícia vestia calça jeans escura, blusa vinho e calçava sapatos de salto. 

Uma das peças encontradas impressionou muito o casal Celso e Tânia Franco, pais da engenheira. A peça seria muito semelhante àquela usada por Patrícia. As roupas serão enviadas para a perícia na tentativa de encontrar algum material genético.

Audiência com PMs

A juíza Ludmila Vanessa Lins da Silva, da 1ª Vara Criminal da Capital, dá continuidade na tarde desta sexta-feira à audiência de instrução e julgamento do processo que apura o desaparecimento da engenheira.

Na última audiência, realizada no dia 5, apenas a perita Karina do Espírito Santo foi interrogada. Ela disse que os resultados dos três laudos continuam inconclusivos. A perita não falou sobre a probabilidade de os tiros terem sido disparados por algum dos PMs acusados.

Com Portal Terra