Papa lamenta morte do "intrépido pastor" Dom Eugenio Sales 

O papa Bento XVI lamentou a morte do cardeal brasileiro Dom Eugenio de Araújo Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro, que faleceu na noite de segunda-feira, aos 91 anos. "Quero manifestar meus pêsames aos bispos, seus auxiliares, ao clero, às comunidades religiosas e aos fiéis da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, que tiveram por três décadas um intrépido pastor", escreveu o papa em telegrama enviado ao arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta.

Ainda de acordo com a nota, Dom Eugenio "foi um autêntico testemunho do Evangelho em meio a seu povo. Dou graças ao Senhor por ter dado à Igreja pastor tão generoso. Em 70 anos de sacerdócio e 58 no episcopado, sempre quis indicar o caminho da verdade na caridade e servir à comunidade, prestando particular atenção aos mais desfavorecidos, fiel a seu lema episcopal 'impendam et superimpendar'", destaca o texto, em uma referência à Carta de São Paulo aos Coríntios.

História

Criado no sertão nordestino, Dom Eugenio era de Acari, no interior do Rio Grande do Norte. Nasceu em 8 de novembro de 1920. Seus pais - Celso Dantas Sales e Josefa de Araújo Sales - geraram outro bispo católico, Dom Heitor de Araújo Sales, Arcebispo Emérito de Natal (RN).

Foi no colégio Marista da capital potiguar que ele despertou para a vida sacerdotal. Com 11 anos, ingressou no seminário menor a mesma cidadã, mas seus estudos de Filosofia e Teologia foram em Fortaleza (CE), no Seminário da Prainha. Em 21 de setembro de 1943 foi ordenado padre pelo bispo de Natal Dom Marcolino Esmeraldo de Sousa Dantas, na mesma Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia, em Acari, onde foi batizado.

Dedicou-se, como sacerdote, às igrejas do interior do Rio Grande do Norte. Mas não por muito tempo. Em 1954, quando tinha 33 anos, 11 dos quais como padre, foi nomeado bispo auxiliar de Natal pelo Papa Pio XII. A sagração deu-se em 15 de agosto do mesmo ano.

Em 1962 foi designado administrador apostólico da Arquidiocese de Natal. Dois anos depois, mudou-se para Salvador, na Bahia, onde exerceu a função de administrador apostólico da Arquidiocese, galgando ao posto de Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil de São Salvador da Bahia,em 29 de outubro de 1968, por decisão do Papa Paulo VI.

Aos papas, Dom Eugenio dedicava total fidelidade, mas por Paulo VI tinha um carinho especial a ponto de presenteá-lo, a cada ida a Roma, com uma caixa de mamão papaia. Foi no potificado de Paulo VI que ele ganhou o titulo de cardeal (1969) e dois anos depois foi transferido para o Rio de Janeiro em 1971, após o falecimento de Dom Jaime de Barros Câmara.

Como cardeal do Rio organizou duas vindas do papa João Paulo II ao Brasil – 1980 e 1987 – fazendo questão de levá-lo à favela do Vidigal, quando muitos acharam que isto seria uma loucura. Em 2005, em Roma, celebrou uma das missas solenes nas exéquias do papa.

Já cardeal emérito – com mais de 80 anos – e, portanto, sem participar do conclave que escolheria o novo papa, dom Eugenio vibrou ao saber que o sucessor de João Paulo II seria o cardeal Joseph Ratzinger, que adotou o nome de papa Bento XVI. Dele recebeu uma carta especial ao completar seus 90 anos, em 2010. 

O cardeal emérito do Rio faleceu na noite de segunda-feira, na residência oficial do Sumaré, vítima de um infarto. Seu velório ocorrerá durante toda a terça-feira (10) na Catedral Metropolitana da Avenida Chile. O enterro, na mesma Catedral, ocorrerá às 15h da quarta-feira.