Amigos a familiares se despedem do ex-ministro Arnaldo Süssekind

Cerca de 50 pessoas acompanham, na manhã desta terça-feira, 10, o velório do ex-ministro Arnaldo Süssekind no saguão do Tribunal Regional do Trabalho, no Centro do Rio. Süssekind morreu na manhã de segunda-feira, quando completaria 95 anos, de insuficiência respiratória seguida de parada cardiorrespiratória.

O filho do jurista, Arnaldo Süssekind Filho, de 70 anos, destacou a generosidade do pai. "Sempre ajudava a família e os amigos, dava muitos conselhos, era uma pessoal extremamente acessível", disse, lembrando ainda de momentos vividos em estádios de futebol, acompanhando o Fluminense, time de coração do ex-ministro. "São minhas lembranças mais fortes. Virei tricolor por causa dele. Infelizmente ele não pôde assistir ao Fla-Flu do centenário, no último domingo, porque estava internado", disse.

Süssekind Filho destacou ainda o trabalho de seu pai na criação das leis trabalhistas. "É seu principal legado para o Brasil. Foi o mais novo a integrar a equipe que criou a CLT e, durante todo estes anos, ajudou a atualizar as leis, acompanhando a evolução das profissões", destacou. Ele lembrou ainda que o ex-ministro estava totalmente lúcido, apesar de ter ficado internado por três meses. "Ele continuava trabalhando, dando consultoria", disse, lembrando ainda que a família estava preparando uma grande festa este ano, quando o jurista completaria 95 anos e o filho, 70. 

Muito emocionada, a filha de Süssekind, Marisa, 68 anos, enfatizou que seu pai deixa um legado de honestidade, justiça e transparência. "Ele tratava todos com respeito. Nossos empregados sempre tiveram carinho por ele. Desta vez, ele decidiu passar seu aniversário lá em cima", lamentou. 

O desembargador do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Alexandre Agra Belmonte, afirmou que Süssekind não deixa sucessor. "Pela obra que deixou para os trabalhadores e tudo o que fez na vida, sua morte deixa os brasileiros órfãos", disse, destacando que o jurista recebeu mais de 40 condecorações ao longo da vida. "Era afável, dinâmico, uma referência obrigatória. Aprendi tudo com os livros dele".

Arnaldo Süssekind integrou a comissão nomeada por Getúlio Vargas para elaborar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1942, além de ter sido, durante o governo de Castello Branco, ministro da Agricultura (1964) e do Trabalho e Previdência Social (de 1964 a 1965).