Rio sedia feira de armas destinada a empresas e órgãos públicos

Um parque de diversões para o homem comum, uma vitrina de negócios milionários para expositores e convidados - o evento não é aberto ao público em geral, apenas para órgãos públicos, empresas e especialistas. É a Laad Security 2012, feira internacional de segurança pública e corporativa que reúne mais de 150 empresas de 14 países no Riocentro, na zona oeste do Rio de Janeiro, até a próxima quinta-feira.

Na feira, é possível conhecer as principais inovações tecnológicas de segurança, um mercado que movimenta R$ 12 bilhões anualmente apenas no Brasil, segundo estudo da Federação Nacional das Empresas de Segurança Privada e Transporte de Valores (Fenavist). E não são poucas, muito menos simples. Em exposição na Laad Security há desde diversos tipos de granadas a veículos militares - motos, carros, caminhões, barcos e até aviões -, sem esquecer das armas de porte restrito às Forças Armadas e modernos sistemas computadorizados de vigilância.

Andando pelos corredores da feira, não é difícil dar de cara com um robô controlado por computador vagando sozinho pelos corredores. Ele pode abrir malas suspeitas de conter explosivos, detonar granadas, e há até protótipos que voam por percursos predefinidos por georreferenciador para vigiar multidões - munidos de poderosas câmeras, eles podem ficar parados no ar apesar do vento e, quando integrados a bancos de dados, encontrar criminosos procurados entre milhares de pessoas.

Um dos maiores atrativos da feira, no entanto, é dar a chance aos convidados de manusear pistolas e fuzis que jamais poderão ser utilizados e vendidos legalmente para civis no Brasil. Matheus Pestana, funcionário do Instituto de Defesa Nacional (IDN) se encantou e carregou nos braços um fuzil .308 AGLC (Sniper), arma de precisão dotada de luneta com quase 5 kg. Completo, chega a custar R$ 11 mil.

"É uma arma muito bonita. Eu não tenho nenhuma, estou só namorando. Isso aqui é um verdadeiro parque de diversões", afirma Pestana num dos estandes mais cheios da feira. Ali, várias pessoas posavam para fotos com as armas, que são vendidas apenas para as forças armadas de diversos países ou para colecionadores autorizados.

Não muito longe dali, também era possível atirar com uma pistola calibre 9mm, outra das armas proibidas para civis. Na verdade, trata-se de uma pistola adaptada com laser e que usa um alvo holográfico numa parede. O programa de computador avalia a precisão dos tiros e atribui notas aos atiradores. Além do fato de evitar o barulho excessivo comum nos estandes de tiro - e não deixar os convidados da feira em pânico - o custo da prática de tiro com o equipamento é muito menor do que com uma arma que atira de verdade.

"A munição desse tipo de armamento custa muito caro. Esse é um dos estandes a laser mais baratos e custa pouco mais de R$ 100 mil. Mas é um preço que logo se paga", explica Gilson Albuquerque Bezerra, da Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), que projetou a parte mecânica do equipamento a laser.

A diversão dos convidados não para por aí. Os veículos militares vêm em segundo lugar na adoração dos aficionados em armamentos. Na Laad, pelo menos três empresas mostram veículos blindados que poderiam muito bem substituir os chamados caveirões, blindados usados pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro para invadir favelas tomadas pelo tráfico de drogas.

São veículos impressionantes. Podem custar mais de R$ 500 mil, carregam 10 homens e possuem vasta tecnologia de localização e controle - como câmeras, GPS e computadores. Sem contar a capacidade de acoplar armas e carregar munições. Tudo sem perder o conforto, já que possuem ar condicionado.