Beltrame: expansão e consolidação de novas UPPs serão tarefa difícil

A expansão do projeto das unidades de Polícia Pacificadora (UPP) e a consolidação das novas UPPs no Rio serão tarefa difícil, segundo o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame. Ele disse que as UPPs contrariam interesses de criminosos que estão instalados nas favelas cariocas há décadas.

Recentemente, ocorrências de violência têm mostrado que quadrilhas armadas continuam exercendo controle sobre territórios considerados “pacificados”, como o Complexo de São Carlos, no Centro da cidade, e o Morro da Mangueira, na Zona Norte, que já têm UPPs há meses, além da Rocinha, na Zona Sul, e do Complexo do Alemão, no subúrbio, que ainda não têm UPPs mas que estão ocupados há meses por forças policiais ou militares.

“Não há UPP fácil. Não há nada fácil no projeto. Não vamos conseguir mudar uma realidade histórica em meses. Se vai ser difícil [consolidar novas UPPs]? Tenho certeza que vai ser difícil, porque mexe com interesses que estão instalados ali historicamente”, disse Beltrame.

O projeto das UPPs prevê a instalação dessas unidades em cerca de 40 áreas, que incluem mais de 150 favelas do estado. Até o momento, já foram implantadas 19 UPPs em cerca de 60 comunidades. O Complexo do Alemão, que está ocupado pelo Exército e pela Polícia Militar desde novembro de 2010, e a Rocinha, ocupada pela PM desde novembro do ano passado, devem ganhar UPPs ainda neste ano.

Em entrevista durante a abertura da Feira Internacional de Segurança Pública - Laad Security 2012 - no Rio de Janeiro, o secretário disse acreditar que a parte mais difícil do projeto de expansão e consolidação das UPPs está sendo executada neste momento, com a ocupação da Rocinha e do Complexo do Alemão.

"Nós não vamos desistir ou mudar esse programa. O que podemos é intensificá-lo. Estamos atentos para que, cada vez mais, a população sinta-se à vontade com a polícia ali e que as coisas melhorem. Agora, acabar com o tráfico e com a violência é algo que, creio, ninguém pode garantir. Temos que ficar vigilantes e consolidar esse processo para daí avançar a outras áreas", disse Beltrame.

Há, no entanto, entre as cerca de 1.000 favelas ainda não ocupadas, comunidades consideradas violentas e que concentram grande atividade criminosa, como o Complexo da Maré, o Jacarezinho, Manguinhos, a Vila Vintém, Vila Kennedy e o Complexo da Coreia, todas no subúrbio da capital fluminense.

Há também comunidades na região metropolitana do Rio, principalmente na Baixada Fluminense e nos municípios de São Gonçalo e Niterói que, segundo notícias veiculadas pela imprensa, teriam se tornado refúgio de criminosos que saíram de algumas favelas com UPPs.