Vigília pede que vítimas de Realengo não sejam esquecidas  

Cerca de 80 pessoas, entre pais, parentes e amigos, participaram da vigília em homenagem às vítimas do massacre da escola Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio. A tragédia completa um ano neste sábado e, para a organizadora do movimento, Adriana Maria da Silveira, é importante não esquecer das 12 crianças vítimas da tragédia. "Temos que lembrá-los sempre, porque a dor ainda é enorme", disse.

Com cartazes, faixas, carros e camisetas com as fotos das crianças, os familiares fizeram cerca de uma hora de orações, em que pediram paz para a cidade do Rio. 

Apoiados pelo movimento social Candelária Nunca Mais, responsável por realizar celebrações em memória de vítimas deste tipo de tragédias no Rio, os pais de Realengo vão se encontrar neste sábado com o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, nos pés do Cristo Redentor, para receberam um abraço de paz.

"Essa é uma tragédia que não pode ser esquecida, como também não podem ser esquecidas, nunca, as mães que perdem seus filhos como na Candelária, na chacina de Vigário Geral e todos os dias pela violência da nossa cidade", afirma Maria de Fátima Pereira da Silva, do movimento Candelária Nunca Mais, que ajudou a organizar o evento.

"Muita gente esquece, mas ela era como minha filha. Não dá para esquecer nunca. Os amigos tentam me reanimar, mas quando chega em casa é um vazio. Meu marido nem entra mais no quarto que era dela", conta Sonia Torres, avó da menina Larissa Atanázio, morta na tragédia.

A vigília foi na rua General Bernardino de Matos, onde era a entrada da escola até a tragédia. Depois da reforma, a porta principal passou para a rua ao lado, a Jornalista Marques Lisboa. Há 18 anos, Gildete Antunes tem um comércio bem em frente à antiga entrada e foi testumunha do que aconteceu no dia 7 de abril do ano passado. Ela conhecia alguns dos alunos mortos e, com lágrimas nos olhos, sente falta dos tempos em que as crianças chegavam para a aula e faziam um grande burburinho em frente ao seu comércio.

"Sinto muito falta do movimento da manhã, da bagunça boa que eles faziam aqui. A Luiza (da Silveira Machado) e o Rafael (Pereira da Silva) estavam sempre aqui com as mães. Luiza comprava sempre refrigente e biscoito e o Rafael adora bala", lembra Gildete, moradora do bairro há 40 anos, com lágrimas nos olhos.

Luiza, Rafael, Mariana, Larissa, Igor, Ana Carolina, Karine, Samira, Géssica, Bianca, Milena e Larissa Atanázio ainda serão homenageadas neste fim de semana com a oração no Cristo Redentor, no sábado pela manhã, e, à tarde, com uma carreta pelas ruas do bairro e com uma missa na manhã de domingo.

Tragédia em Realengo

Um homem matou pelo menos 12 estudantes a tiros ao invadir a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã do dia 7 de abril de 2011. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, era ex-aluno da instituição de ensino e se suicidou logo após o atentado. Segundo a polícia, o atirador portava duas armas e utilizava dispositivos para recarregar os revólveres rapidamente. As vítimas tinham entre 12 e 14 anos. Outras 18 ficaram feridas.

Wellington entrou no local alegando ser palestrante. Ele se dirigiu até uma sala de aula e passou a atirar na cabeça de alunos. A ação só foi interrompida com a chegada de um sargento da Polícia Militar, que estava a duas quadras da escola. Ele conseguiu acertar o atirador, que se matou em seguida. Em uma carta encontrada com ele, Wellington pediu perdão a Deus e deixou instruções para o próprio enterro - entre elas que nenhuma pessoa "impura" tocasse seu corpo.

Dias depois, a polícia divulgou fotos e vídeos em que o atirador aparece se preparando para o ataque durante meses. Em um deles, Wellington justificou o massacre por ter sido vítima de "bullying" praticado por "cruéis, covardes, que se aproveitam da bondade, da inocência, da fraqueza de pessoas incapazes de se defenderem". Na casa dele, foram encontradas diversas anotações que mostraram uma fixação pelos ataques de 11 de setembro de 2001. O atirador acabou enterrado como indigente 15 dias após o massacre, já que nenhum familiar foi ao Instituto Médico Legal (IML) liberar o corpo.