Grupo de combate ao crime do MP denuncia nove por pedofilia e abuso sexual

Analista judiciário, publicitário e oficial de Justiça estão entre os denunciados

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou à Justiça nove homens acusados de pedofilia e exploração sexual, em Miguel Pereira, no interior fluminense. Cinco dos nove denunciados já estavam presos temporariamente desde o dia 29 de fevereiro, quando foi desencadeada a Operação Resgate, com apoio do Grupo de Apoio aos Promotores, e um foi preso dias depois. 

Foram denunciados o analista judiciário do Tribunal de Justiça do Rio José Eduardo Fortunato Moreira, o Oficial de Justiça aposentado José Evônio D’Ávila (“David do Arcozelo”), o publicitário Paulo Sérgio Martins Gomes (“Paulo do Outdoor”), o balconista João Henrique da Silva Cruz, o motorista Pedro Paulo de Carvalho, José Maria da Silva Neto (“Zé do Gué” ou “Didi”), o pintor Roberto da Silva Chaves  (“Beto da Oficina”), o Militar Felipe Goulart Belo Soares (“Canelinha”) e o comerciante Marcelo Monteiro Gomes.    

Nesta terça-feira (27/03), o Juiz da Vara Única da Comarca de Miguel Pereira converteu a prisão temporária em preventiva dos seis primeiros acusados e decretou as prisões de Beto da Oficina e Canelinha. A pedido do GAECO, também foi deferida a interdição do Motel Lagoinha, em bairro de mesmo nome, local onde aconteciam a maioria dos encontros e que era administrado pelo último denunciado.

De acordo com a denúncia, pelo menos cinco crianças e adolescentes, entre 11 e 15 anos, eram vítimas de exploração sexual há quase dois anos. Segundo o Promotor de Justiça Sérgio Luís Lopes Pereira, Subcoordenador do GAECO, subscritor da denúncia, as meninas viviam em absoluta miséria, nas proximidades de um lixão, com famílias totalmente desestruturadas. Os acusados aproveitaram-se da situação para violar a dignidade sexual das vítimas. Pelos programas, as meninas recebiam valores entre R$ 20 e R$ 60, além de pequenos presentes como roupas e lanches. 

Ainda de acordo com a denúncia, José Eduardo exibia uma carteira com brasão metálico, típica de servidores do Poder Judiciário, para impressionar e intimidar as vítimas e dizendo ser da polícia ou advogado. Fichas de controle do Motel Lagoinha, apreendidas durante a operação, registram as entradas de José Eduardo e José D’Ávila. A denúncia narra ainda que, no fim do ano passado, uma das vítimas teria sido procurada por um senhor idoso que lhe entregou R$ 550, dizendo estar a mando de José Eduardo. A orientação era para que a jovem prestasse informações falsas à polícia, negando a prática de relações sexuais com ele. 

José D’Ávila, por sua vez, é mencionado na denúncia como autor de um artigo publicado dia 10 de junho de 2011, no Jornal Panorama Regional, no qual defende a revisão da criminalização da pedofilia, alegando que os adultos são as verdadeiras vítimas de menores, responsáveis pela prática de abordagem acintosa e cínica em troca de proveito financeiro. 

As vítimas foram retiradas das ruas e encaminhadas para uma instituição de acolhimento.