Marinha detecta mancha de óleo de 1 km na Bacia de Campos 

A Marinha do Brasil anunciou ter detectado uma mancha de óleo de 1 km de extensão na Bacia de Campos, local onde, nesta semana, ocorreu um novo vazamento em operações da petrolífera americana Chevron. 

A Marinha faz referência a uma "tênue mancha" no Campo do Frade, área de Campos. Questionada, a assessoria garantiu se tratar da consequência do vazamento de óleo proveniente de uma fissura de 800 metros no solo marinho.

Este é o segundo vazamento da companhia americana em cinco meses. O vazamento de ao menos 2,4 mil barris de petróleo no campo de Frade, em novembro, resultou na abertura de processos judiciais contra a Chevron, em autuações e pedido de indenização no valor de R$ 20 bilhões. O Ministério Público (MP) da cidade de Campos (RJ) entrará com uma ação criminal contra os representantes da Chevron.

A nota divulgada neste sábado indica que a Marinha acompanha o andamento do caso, ao lado da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bio-combustíveis (ANP) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No último dia 13, a ANP já informara que a Chevron continuava proibida de explorar petróleo no Brasil por não ter atendido aos requisitos referentes à segurança e às medidas determinadas após o acidente do ano passado.

Multas por crimes ambientais poderão ser proporcionais a faturamento de empresas

Após a reincidência de vazamento da petrolífera americana Chevron, na Bacia de Campos, litoral fluminense, deputados vão apresentar um relatório que propõe multas proporcionais ao faturamento de empresas que cometerem crimes ambientais. De acordo com o deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), relator da Subcomissão Especial sobre Crimes e Penas, o objetivo é evitar que as penalidades impostas aos infratores sejam incompatíveis com seus rendimentos.

“Queremos acabar com esse limite absoluto da penalidade para fazer com que a empresa sofra uma multa que tenha proporção com o faturamento dela”, argumenta o parlamentar. “Desse modo podemos evitar que a empresa acabe com uma multa que consegue recuperar em apenas horas ou minutos em atividade”. O relatório proposto pela subcomissão deve ser apresentado dentro de dez dias.

Em nota, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) informou estar investigando as causas do afloramento de óleo: “A ANP autuou a Chevron na quarta-feira (14/3) por não atender notificação da Agência para apresentar as salvaguardas solicitadas para evitar novas exsudações na área do Campo de Frade”, divulgaram. “A Agência está acompanhando o vazamento desde o dia do incidente, 7 de novembro de 2011. Nesta quarta (14/3) técnicos da ANP estiveram no Centro de Comando de Crise da Chevron e determinaram a instalação de um coletor no novo ponto de vazamento identificado pela empresa”.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente do Rio, Carlos Minc, a penalidade deve ser calculada em cima do volume do vazamento, acrescida da multa sobre reincidência e também sobre uma possível sonegação de informações e falha de omissão por não ter equipamentos específicos de segurança adicional em vista da fissura de 800 metros, detectada no último dia 13. O secretário vai entrar com uma medida prática na próxima segunda-feira junto ao Ibama e à Agência Nacional do Petróleo pedindo por mais transparência.

“A ideia é que toda empresa de petróleo tenha que fazer estudos geológicos que devem ser divulgados de forma simples, para que qualquer cidadão tenha acesso às falhas, riscos associados e medidas de proteção”, explicou. “A causa do acidente não foi completamente esclarecida. No ano passado, a Chevron sabia de uma falha de 300 metros no terreno e deveria ter uma proteção de aço inoxidável de 1200 metros, quando tinham, na verdade, uma de 600. Isso foi uma imprudência total”.

Em nota, a Chevron afirmou estar investigando as causas do afloramento de óleo. "A Chevron Brasil identificou durante o monitoramento do Campo Frade pequena mancha e uma nova fonte de afloramento", diz a nota. "Dispositivos de contenção foram imediatamente instalados para coletar gotas, pouco frequentes. Hoje, algumas pequenas bolhas foram vistas na superfície. A Chevron Brasil está investigando a ocorrência".

A petroleira foi responsável por um vazamento de 2.400 barris de óleo na Bacia de Campos em novembro do ano passado. Com o novo acidentes, a empresa pediu autorização à Agência Nacional do Petróleo (ANP) para suspender temporariamente a exploração no Campo de Frade – o mesmo onde ocorreu a primeira tragédia.

A suspensão das atividades, segundo explicou a empresa, é por precaução. No último dia 13, foi identificada uma fissura de 800 metros de extensão, mas de largura milimétrica. A Chevron está proibida de perfurar no Brasil desde o acidente do ano passado. 


Com Portal Terra