Jovem supostamente espancado por militares na Penha reafirma tortura

Rio de Janeiro - O estudante Thiago da Silva, de 22 anos, confirmou nesta quarta-feira (14) que foi torturado por militares do Exército na madrugada do último sábado (10), na Vila Cruzeiro, uma das comunidades do Complexo da Penha ocupada por forças de segurança em novembro de 2010. 

À tarde ele participou de uma sessão de reconhecimento com 28 militares, na base da Força de Pacificação, no Complexo do Alemão, e apontou dois suspeitos, mas sem dar certeza se foram aqueles os seus agressores.

Thiago prestou novo depoimento na 22ª DP(Penha), e contou detalhes de como foi abordado por militares que perguntavam sobre o seu envolvimento com traficantes. Ele disse que foi levado deitado dentro de uma viatura até um matagal, onde foi amarrado em uma árvore, com o uso de uma algema e de um lacre plástico. 

"Falaram que eu ia ter que dar conta dos traficantes e onde era o esconderijo de drogas. Eu falei que não sabia de nada, que era morador. Eles falaram que eu ia contar tudo para eles. Que eu era olheiro do tráfico."

Segundo o jovem, os militares o torturaram com choque elétrico e uso de spray de gás de pimenta por quase duas horas. Ao puxarem com mais força a algema, os militares teriam quebrado o seu braço direito. Foi quando o liberaram e conseguiu fugir. "Pedi que me soltassem, que meu braço estava quebrado. Foi quando consegui correr e desci um barranco rolando. Cheguei em um local que tinha uns trabalhadores, pedi ajuda, um rapaz veio de moto e me deixou em um posto de gasolina. Tinha um mototaxista abastecendo e me levou para a Vila Cruzeiro, onde um amigo me levou para o Hospital Getúlio Vargas."

O chefe de comunicação da Força de Pacificação, coronel Fernando Fantazzini, disse que já foi aberto um inquérito policial militar (IPM) para investigar a denúncia. Segundo ele, se for comprovado o crime, os militares envolvidos poderão ser expulsos do Exército.