Caso José Júnior: X-9 é pior acusação para quem lida com o tráfico 

"A pior acusação que você pode receber quando lida com o tráfico é ser chamado de X-9." A explicação é do professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e diretor do Observatório de Favelas, Jaílson de Souza. Ele ficou surpreso com as denúncias do coordenador do AfroReggae, José Júnior. Ele diz que está sendo acusado de ser "X-9" (gíria usada para designar um delator) do governo do Estado nas comunidades do Rio de Janeiro pelo pastor Marcos Pereira da Silva, líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias. Ele afirma que só não foi morto até agora por ser "blindado pela imprensa".

"É muito difícil um traficante perdoar um X-9. Acho que só uma vez ouvi uma história de traficante que não matou o seu X-9. Então é uma crítica muito dura", analisa o diretor do Observatório de Favelas. "O Júnior é historicamente um cara que se tornou famoso pelo seu papel de mediador. E o pastor Marcos é um cara que tem investido muito trabalho em retirar pessoas do tráfico de drogas. É uma acusação muito séria. O Júnior deve ter algum tipo de prova para fazer uma acusação desse tipo."

José Júnior prestou depoimento na tarde desta quarta-feira à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) sobre as denúncias envolvendo o pastor. O coordenador do AfroReggae também acusa Marcos Pereira da Silva de ameaçar integrantes do AfroReggae e de ter envolvimento na onda de ataques cometida por traficantes, no Rio, nos anos de 2006 e 2010.

Júnior foi ouvido pelo deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), presidente da comissão, por cerca de 40 minutos. Freixo recomendou que Júnior receba proteção especial, o que foi rechaçado pelo líder do AfroReggae.