Com pouca adesão, grevistas pedem libertação de presos no Rio de Janeiro

Com poucos integrantes, bombeiros, policiais militares e alguns poucos policiais civis fizeram uma manifestação neste domingo em frente ao Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, pela libertação do cabo bombeiro Benevenuto Daciolo e outros 15 colegas que estão presos na penitenciária de segurança máxima de Bangu I. O protesto ocorreu depois que foram divulgados novos vídeos em que Daciolo incita a greve para atingir diretamente o governador Sérgio Cabral (PMDB).

"Já está provado que este não é um movimento político. Somos apartidários", garantiu Cristiane Daciolo, mulher do líder do movimento preso. "Mostraram um vídeo particular, de seis meses atrás. Mas em momento algum a corporação tomou alguma posição política. Queremos apenas que os bombeiros e policiais sejam tratados com dignidade." Menos de mil pessoas foram à orla para se juntar à manifestação, num indício de que o movimento grevista perde força. Houve gritos de "Fora Cabral" e alguns bombeiros andavam com adesivos pedindo a saída do governador, que foi acusado de impor uma ditadura no Estado. Funcionários da Rede Globo, que divulga sistematicamente gravações que incriminam Daciolo, foram hostilizados pelos manifestantes.

A greve no Rio

Policiais civis, militares e bombeiros do Rio de Janeiro confirmaram, no dia 9 de fevereiro, que entrariam em greve. A opção pela paralisação foi ratificada em assembleia na Cinelândia, no Centro, que reuniu pelo menos 2 mil pessoas.

Dois dias depois, alegando falta de adesão, os policiais civis deixaram o movimento. A orientação do movimento era que apenas 30% dos policiais civis ficassem nas ruas durante a greve, mas o clima era de normalidade na maior parte do Estado.

Os militares foram orientados a permanecer junto a suas famílias nos quartéis e não sair para nenhuma ocorrência, o que deveria ficar a cargo do Exército e da Força Nacional, que já haviam definido preventivamente a cessão de 14,3 mil homens para atuarem no Rio em caso de greve.

Os bombeiros prometem uma espécie de operação padrão. Garantem que vão atender serviços essenciais à população, especialmente resgates que envolvam vidas em risco, além de incêndios e recolhimento de corpos. Os salva-vidas que trabalham nas praias devem trabalhar sem a farda, segundo o movimento grevista. Mas, segundo a corporação, apenas o grupamento da Barra da Tijuca aderiu à paralisação.

Policiais e bombeiros exigem piso salarial de R$ 3,5 mil. Atualmente, o salário base fica em torno de R$ 1,1 mil, fora as gratificações. O movimento grevista quer também a libertação do cabo bombeiro Benevenuto Daciolo, detido administrativamente na noite de quarta-feira e com prisão preventiva decretada, acusado de incitar atos violentos durante a greve de policiais na Bahia.