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Na tentativa de evitar uma iminente greve de policiais e bombeiros, o governo do Rio de Janeiro propôs um pacote de medidas para serenar os ânimos do movimento que apoia a paralisação dos profissionais da segurança pública do Estado. 

Além de antecipar o reajuste que seria pago ao longo de quatro anos, o governador Sérgio Cabral ofereceu outro aumento, previsto para 2014, que seria correspondente ao dobro da inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano anterior. Cabral sugere ainda o pagamento de R$ 100 mensais de auxílio transporte e a criação de um banco de horas extras.

O pacote busca evitar que a crise na segurança pública observada na Bahia nos últimos dias se estenda para o Rio a partir desta sexta, quando policiais e bombeiros prometem entrar em greve. A proposta de Cabral será apreciada em assembleia geral das polícias Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros, marcada para esta quinta à noite. 

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A tendência exposta pela organização do movimento é que a opção pela greve seja confirmada, restando saber qual será a adesão dos profissionais. A orientação é que os militares fiquem aquartelados a partir de sexta-feira e que, aos poucos, o contingente presente nas ruas seja reduzido.

Presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol-RJ), Fernando Bandeira garante que será mantido, no mínimo, efetivo de 30% nas delegacias, conforme estipula a Lei de Greve. 

"Isso será para não prejudicar a população no atendimento de emergência como flagrantes de homicídios, roubos e remoção de cadáveres", afirmou.

O movimento reivindica aumento salarial real, e não apenas nas gratificações, conforme alegam que vinha acontecendo. Os militares pedem o pagamento de um piso de R$ 3.500, contando com o fim dos adicionais. Eles esperavam até esta quarta-feira uma proposta do governador, mas nenhuma negociação sobre reajuste salarial chegou a ser aberta, segundo os sindicalistas.

A proposta de antecipação salarial será votada na manhã desta quinta-feira na Assembleia Legislativa do Rio. A proposta de Cabral recebeu 70 emendas, o que acabou adiando a apreciação do projeto, antes prevista para a última terça-feira. Mesmo que seja aprovada, a medida não deverá ter muito efeito para conter o ímpeto dos favoráveis à greve. 

"Queremos um novo reajuste. Estão votando uma coisa já acertada, é apenas uma antecipação", observou Bandeira.