Seguros de prédios que ruíram não incluíam desabamento  

Nas apólices de seguro dos edifícios Liberdade e Colombo, que caíram no último dia 25 de janeiro, no Rio de Janeiro, não havia cobertura para desmoronamento. Elas englobavam apenas os eventos básicos (incêndio, queda de raio e explosão). Mesmo assim, os condomínios pretendem pleitear indenizações às seguradoras. O advogado Geraldo Beire Simões, que representa o síndico do condomínio Liberdade, Paulo Renha, anunciou que, na semana que vem, vai encaminhar o pedido à Allianz Seguros. As informações são do jornal O Globo.

A empresa informou que pretende aguardar a apuração das causas do acidente para "identificar os tipos de coberturas envolvidas". Já no edifício Colombo, a negociação é feita com a Porto Seguro. Herdeira de três dos dez pavimentos do prédio, a jornalista Vera Marina de Barros disse que vai tentar a cobertura. "Estamos negociando com a Porto Seguro, a seguradora do prédio. Mas, como ninguém imaginaria o desmoronamento, não sabemos como vai terminar a negociação", disse. Segundo o diretor-executivo da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Neival Freitas, a cobertura de seguros contra desabamentos ainda é muito rara no Brasil pela raridade de tais acontecimentos.

Os desabamentos

Três prédios desabaram no centro do Rio de Janeiro por volta das 20h30min de 25 de janeiro. Um deles tinha 20 andares e ficava situado na avenida Treze de Maio; outro tinha 10 andares e ficava na rua Manuel de Carvalho; e o terceiro, também na Manuel de Carvalho, era uma construção de quatro andares. Segundo a Defesa Civil do município, pelo menos 17 pessoas morreram. Cinco pessoas ficaram feridas com escoriações leves e foram atendidas nos hospitais da região.

Segundo o engenheiro civil Antônio Eulálio, do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), havia obras irregulares no edifício de 20 andares. O especialista afirmou que o prédio teria caído de cima para abaixo e acabou levando os outros dois ao lado. De acordo com ele, todas as possibilidades para a tragédia apontam para problemas estruturais nesse prédio. Ele descartou totalmente que uma explosão por vazamento de gás tenha causado o desabamento.