Após desabamentos, Teatro Municipal do Rio realiza testes 

Os equipamentos de palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro vão passar por um esquema especial nos próximos 20 dias. Eles serão ligados três vezes ao dia e aquecidos mesmo que não haja nenhuma apresentação programada. É uma estratégia para testá-los depois que o desabamento de três prédios no entorno do edifício histórico levantou poeira, o que pode ter danificado alguma das estruturas.

Segundo o engenheiro civil Antônio Eulálio, do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), havia obras irregulares no edifício de 20 andares. O especialista afirmou que o prédio teria caído de cima para abaixo e acabou levando os outros dois ao lado. De acordo com ele, todas as possibilidades para a tragédia apontam para problemas estruturais nesse prédio. Ele descartou totalmente que uma explosão por vazamento de gás tenha causado o desabamento.

"Sabemos que os equipamentos de alta tecnologia são sensíveis à poeira grossa. Não podemos correr o risco de ter falhas durante as apresentações. Por isso, vamos exercitar o palco como se o teatro estivesse em funcionamento antes de reabrir", afirmou Carla Camurati, presidente da Fundação Teatro Municipal, ao jornal O Globo.

Ainda fechado pela Defesa Civil, o teatro adiou em dois meses o início das apresentações em 2012 - de março para maio. Antes de reabrir, terá de passar por um processo completo de limpeza. A poeira do desabamento entrou pelas janelas e pelos dutos de ar condicionado, além de ter contaminado a caixa d'água da casa.

Os desabamentos

Três prédios desabaram no centro do Rio de Janeiro por volta das 20h30min de 25 de janeiro. Um deles tinha 20 andares e ficava situado na avenida Treze de Maio; outro tinha 10 andares e ficava na rua Manuel de Carvalho; e o terceiro, também na Manuel de Carvalho, era uma construção de quatro andares. Segundo a Defesa Civil do município, pelo menos 17 pessoas morreram. Cinco pessoas ficaram feridas com escoriações leves e foram atendidas nos hospitais da região. Bombeiros e agentes da Defesa Civil trabalham desde a noite da tragédia na busca de vítimas em meio aos escombros. Estão sendo usados retroescavadeiras e caminhões para retirar os entulhos.