Policial acusado de envolvimento com jogo do bicho se entrega

Um policial civil que teve a prisão decretada na Operação Dedo de Deus, desencadeada para combater o jogo do bicho em quatro estados brasileiros, apresentou-se na noite desta quinta-feira à Divisão Antissequestro. O agente, que ainda está na ativa, procurou a delegacia para saber se a medida judicial que suspendia o seu decreto de prisão havia realmente sido suspensa. 

Ao ser informado de que a informação procedia, ele entrou em contato com a Corregedoria da Polícia Civil e avisou que iria se entregar. O policial encontra-se na especializada e, agora, pode ser transferido para uma unidade prisional.

Também detido na operação, o patrono da escola de samba Beija Flor de Nilópolis, Aniz Abraão David, o Anísio, apontado como banqueiro do jogo do bicho, foi levado para uma cela em Bangu II. Ele estava no hospital penitenciário, no mesmo bairro, por conta de uma arritmia cardíaca, mas recebeu alta após ser submetido a novos exames na quinta-feira.

A polícia fez buscas a mais oito suspeitos de envolvimento com o esquema de contravenção no Rio de Janeiro. Na lista de procurados estão dois homens que também pertenceriam à cúpula da contravenção no estado: o presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, Luizinho Drummond, e o presidente da Grande Rio, Helinho de Oliveira.

Durante coletiva na tarde desta quarta-feira, na sede da Chefia de Polícia, a delegada Martha Rocha garantiu que um policial civil e um outro homem foram presos com o suspeito de contravenção Aniz Abraão David e vão responder por formação de quadrilha. A dupla seria segurança do contraventor. 

"Tudo indica que esse policial fazia a segurança de Anísio", afirmou a delegada. "O crime é inafiançável e eles vão continuar presos", decretou. Anísio, segundo informações da chefe da Polícia Civil, foi preso com cerca de R$ 7 mil em espécie e US$ 180. 

"Anísio é o glacê do bolo", diz advogado

Depois da prisão do suposto contraventor e patrono da escola de samba Beija Flor de Nilópolis nesta quarta-feira (11), seu advogado Ubiratan Guedes classificou como injusta e desnecessária a prisão de Anísio. Ele referiu-se ainda à operação Dedo de Deus desencadeada no dia 15 de dezembro do ano passado que utilizou até helicópteros e rapel para adentrar a mansão de Anísio na Avenida Atlântica, em Copacabana (Zona Sul do Rio). 

"A prisão (de Anísio) foi totalmente injusta e desnecessária porque um homem de 75 anos, doente, se estivesse foragido seria numa clínica geriátrica", afirmou o defensor. Ainda de acordo com o advogado, o fato de Anísio ter sido preso desarmado revela que não havia necessidade daquela operação cinematográfica. 

"Anísio é o glacê do bolo que a polícia preparou. Sem glacê o bolo não tem graça", disparou Ubiratan Guedes, criticando a Polícia Civil do Rio.