Crianças de comunidades pacificadas assistem a balé no Theatro Municipal 

Crianças de 24 comunidades pacificadas com idades a partir de 5 anos, acompanhadas pelos responsáveis, assistiram, na noite desta sexta-feira (6), a uma sessão exclusiva do balé O Quebra Nozes, clássica história natalina, no Theatro Municipal. A apresentação, promovida pelas secretarias de Segurança e Cultura, em parceria com a Coordenadoria de Polícia Pacificadora e a obra social RIOSOLIDARIO, reuniu cerca de 1.700 pessoas entre crianças e pais. 

Presente no evento, a secretária de Cultura, Adriana Rattes destacou a importância de se levar cultura “muito além das fronteiras”. - Este evento faz parte de uma série de programas que temos procurado desenvolver com a Secretaria de Segurança nas UPPs e, de um modo geral, em todas as comunidades do Rio, na periferia, na Região Metropolitana e no interior do Estado. São ações que se inscrevem na ideia de que temos que ir mais além do que seria o público tradicional de cultura. Cultura é, sim, um fator importante de transformação social, de inclusão, de cidadania. Nossa intenção é a de reconstruir o tecido social destas comunidades levando cultura, e promovendo os talentos que existem nestas comunidades também – disse Adriana Rattes.

Segundo o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, as apresentações para moradores de comunidades pacificadas vão entrar para o calendário anual do Municipal.- Já estamos pensando em um calendário anual de eventos aqui para que isso possa se repetir mais vezes. O Municipal está lindo e merece ter estas pessoas e todos nós. O Governo do Estado conseguiu trazer aqui quase duas mil crianças e pais, acho isso notável – disse.  

Visitando pela primeira vez o Theatro Municipal, Cristiane Maria Cruz de Sousa, de 28 anos, não escondia a alegria de poder assistir com os três filhos Pedro, de 9 anos, Herick, de 8, e Matheus, de 4 anos, a um espetáculo de balé.- Lindo, muito lindo e o teatro tá show de bola. Tivemos sempre muito pouco acesso à cultura nas comunidades, mas agora está melhorando – afirmou a moradora da Cidade de Deus.

A moradora do Morro Azul, comunidade localizada no Flamengo, Denise dos Santos Tibúrcio do Nascimento, de 34 anos, não fazia ideia de como era bonito um espetáculo de balé ao vivo. Ela assistiu com a filha Sophia, de apenas 4 anos, a apresentação. - Já havia assistido pela TV, mas nunca ao vivo. Estou achando ótimo. O Quebra Nozes é conhecidíssimo em todo o mundo. Estou feliz de estar aqui com a minha filha.

Animada e ansiosa para o início da apresentação, Sophia, de 4 anos, definiu a oportunidade como ‘muito legal’. Ela adora dançar e finge ser bailarina quando está em casa. - Eu danço de pontinha de pé também – disse. 

Auxiliar da biblioteca que funciona na sede da UPP da Providência, Luiz Felipe da Silva, de 32 anos, trouxe o filho Diógenes para assistir ao espetáculo natalino já apresentado em vários países do mundo. Para ele, a oportunidade de conhecer o Municipal marcará a vida de muitas crianças.- Acho que é o sonho de qualquer pessoa que mora no Rio conhecer o Municipal. Assistir ao Quebra Nozes foi muito importante pela questão cultural. Há crianças aqui que nunca saíram para longe de suas comunidades. Eu, por exemplo, nunca tive a oportunidade de ver um espetáculo de balé desta qualidade quando era pequeno.

Policiais das UPPs também assistiram ao balé. Entre os soldados da Polícia Militar estava presente a soldado Rafaela Malta, de 32 anos. Ela dá aula de balé em um projeto social, em parceria com a Suderj, na Cidade de Deus (Apartamentos).- Sou professora de balé no projeto social e vim com as minhas alunas. Dou aula para crianças de 3 a 14 anos. Trazê-las para conhecer um repertório destes e aqui foi realmente sensacional. Hoje para mim é um dia super emocionante. Falei sobre a peça e passei a parte teórica do que estaria acontecendo para as minhas alunas - contou.

O Governo do Estado disponibilizou 1,7 mil ingressos e ônibus que levaram as crianças das comunidades para o teatro. Senhas foram distribuídas nas 18 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), nas comunidades ocupadas (Rocinha e Vidigal) e ainda no Morro Azul e Cruzada São Sebastião para serem trocadas na bilheteria do teatro pelos responsáveis das crianças.