Vara da Infância promove noite especial para adolescentes do Rio

Idealizado pela Dra. Ivone Ferreira, baile de debutantes reviveu os anos dourados

Na noite desta segunda-feira (19/12), um baile de debutantes diferente foi celebrado no Clube Monte Líbano, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Promovido pela Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do Rio de Janeiro, o baile  “Rio, também sou adolescente” foi idealizado pela Doutora Ivone Ferreira Caetano com o objetivo de elevar a autoestima de 21 jovens, que estão inseridas em projetos sociais da cidade.

"O principal prêmio que estas jovens estão recebendo nesta noite é a autoestima e a possibilidade de sonhar", disse Doutora Ivone Ferreira. A festa também contou com a presença do ator Sidney Sampaio, que foi o príncipe das debutantes. 

A primeira edição do evento ocorreu no ano de 2005, quando, em comemoração aos 15 anos de existência do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ofereceu-se um baile de debutantes a 15 adolescentes. Contando sempre com o apoio de colaboradores, o evento continuou a ser realizado anualmente, sempre agraciando o número de jovens correspondente aos anos de existência do ECA.

Nova perspectiva

O baile deu às adolescentes a oportunidade de ter tudo que uma debutante pode querer: orquestra, vestidos de gala, valsa com cadetes do Corpo de Bombeiros. No entanto, as próprias adolescentes reconhecem que a festa foi apenas a cereja no bolo de uma conquista muito maior. 

"A festa é sonho de qualquer menina, mas o projeto nos deu muitas oportunidades", conta uma das adolescentes, que vive num internato para meninas na Zona Norte. "Minha mãe é dependente química e eu vivo no internato porque ela não pode cuidar de mim. Nesse programa, a gente aprende a não cometer os mesmos erros que nossos pais cometeram. Assim, poderemos dar um futuro melhor para os nossos filhos". 

Além do baile de debutante, o programa "Rio, também sou adolescente" fez com que as jovens passassem por uma série de palestras de orientação vocacional, educação sexual, saúde e ética. 

"O programa me ensinou a me valorizar com as aulas de educação sexual", ressalta uma das meninas. Apesar das brincadeiras das colegas, ela não baixou o tom. "Muitas de nós estão vivendo no internato porque nossos pais não tiveram acesso às informações que nós tivemos nessas palestras. Além de se valorizar, a mulher precisa se proteger. Tudo tem o seu tempo. Eu quero estudar e trabalhar antes de ter um filho".