MP-RJ denuncia mulher de Nem por associação para o tráfico

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) ofereceu denúncia nesta sexta-feira contra Danúbia de Souza Rangel, mulher do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, preso na ocupação da comunidade da Rocinha. Conhecida como a "Xerifa da Rocinha", Danúbia responderá pelo crime de associação para o tráfico. A denúncia foi recebida pelo juízo da 14ª Vara Criminal da Capital. A mulher de Nem continuará presa pois, a pedido do MP-RJ, foi decretada a sua prisão preventiva.

Encontrada na noite da sexta-feira passada pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) em um salão de beleza de uma amiga, Danúbia confessou que havia chegado à favela no mesmo dia para visitar a filha, de quem sentia saudades. Ela foi levada para a 15ª DP (Gávea) para prestar depoimentos. De acordo com o delegado-titular Carlos Augusto Nogueira, Danúbia recebia presentes caros de Nem, como joias, carros e uma casa.

Com o visual completamente diferente do que costumava exibir, a jovem estava de calça jeans, cabelos maltratados e presos com um coque, boné azul e camisa quadriculada. No momento da abordagem, Danúbia estava com uma irmã e outras duas pessoas.

Nem e a tomada da Rocinha

O chefe do tráfico da favela da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, foi preso pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar no início da madrugada de 10 de novembro. Um dos líderes mais importantes da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), ele estava escondido no porta-malas de um carro parado em uma blitz por estar com a suspensão baixa, em uma das saídas da maior favela da América Latina, que havia sido cercada por policiais na noite do dia 8 de novembro.

Desde o dia anterior, a polícia já investigava denúncias de um possível plano para retirar o traficante da Rocinha. Além de Nem, três homens estavam no carro. Um se identificou como cônsul do Congo, o outro como funcionário do cônsul, e um terceiro como advogado - a embaixada da República do Congo, entretanto, informou não ter consulados no Rio. Os PMs pediram para revistar o carro, mas o trio se negou, alegando imunidade diplomática. Os agentes decidiram, então, escoltar o veículo até a sede da Polícia Federal. No caminho, porém, os ocupantes pediram para parar o carro e ofereceram R$ 1 milhão para serem liberados. Neste momento, os PMs abriram o porta-malas e encontraram Nem, que se escondia com R$ 59,9 mil e 50,5 mil euros em dinheiro.