Rio terá tiroteio intencional para calibrar sistema que detecta disparos

Moradores do entorno do Maracanã ouvirão disparos de diferentes calibres

Os moradores do entorno do Maracanã e complexo da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, vão escutar pelo menos 105 rajadas de armas de diferentes calibres durante três madrugadas a partir das 22h de segunda-feira, quando a Polícia Militar vai calibrar o sistema de som para captação de tiroteio. Os tiros reais serão disparados em áreas interditadas contra um caminhão cheio de sacos de areia. Serão utilizados calibres 556 (fuzil), carabina 12, pistola .40, revólveres de calibre 38 e 9 mm.

De acordo com o coronel George Freitas de Souza, superintendente de comando e controle da Secretaria de Segurança, a calibragem é fundamental para que os 65 pontos de captação de disparos instalados em prédios dos bairros Tijuca, Maracanã, Vila Isabel, Grajaú, Andaraí, Usina e Muda ajustem a identificação das frequências sonoras de tiros, diferenciando fogos de artifício, estouros e barulho de helicóptero, por exemplo.

"Entendemos que haverá desconforto aos moradores, mas é fundamental esse momento de calibragem para que o sistema funcione. Vamos poder contar com um dispositivo que será extremamente eficaz na ajuda ao combate ao crime", afirmou. O sistema, que ainda não tem previsão para entrar em operação, está em funcionamento em 45 cidades dos Estados Unidos e também em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. De acordo com a empresa produtora do sistema, a aplicação do detector de tiros reduziu em 80% a ocorrência de disparos nas áreas monitoradas nos EUA. Em Canoas, a queda foi de 40%.

"O sistema será capaz de avisar a central de controle em cinco segundos da ocorrência de um disparo. É muito mais eficiente do que o monitoramento através de ligações, muitas das quais são trotes. Poderemos agir imediatamente, além de poder contar com um melhor registro da mancha criminal", afirmou Souza. O coronel também disse crer que o sistema possa contribuir para investigações, pois o número de disparos, o calibre da arma utilizada e o local exato da ocorrência ficarão registrados.

O sistema foi adquirido por R$ 1,3 milhão. O projeto que será implementado no entorno do Maracanã é piloto. Não há previsão para adoção do sistema nas demais áreas da cidade.