Prêmio reconhece invenções de estudantes do ensino médio e fundamental

A Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) acolheu, na tarde da última quarta-feira, um evento que premiou as invenções mais inovadoras de estudantes do ensino médio e fundamental de escolas públicas e particulares do Rio de Janeiro, o 5º Prêmio Inovar para Crescer nas Escolas (PINCE). No salão, onde os protótipos foram expostos, jovens de todas as idades se empenhavam em apresentar com muito orgulho e propriedade o fruto de muitas horas de trabalho e dedicação. Apesar do entusiasmo, a apreensão também era grande, pois, em poucos minutos, seria o grande momento: a premiação.

Passeando pelo salão, os julgadores observavam os projetos e avaliavam, além dos aspectos inovadores, as habilidades de apresentação dos alunos. Os que se destacaram nesse quesito, receberam medalhas. Na opinião de Fernando Baratelli Jr, presidente do Conselho de Inovação e Tecnologia da ACRJ, o concurso serviu para que os alunos chegassem mais perto de uma visão de mercado.

“O prêmio é importante para mostrar aos jovens que existem outras carreiras além das de jogador de futebol e atriz de novela, além de fazer com que eles tomem gosto e conheçam um pouco mais a carreira tecnológica. Foi muito bom ver os alunos lidando com as adversidades do mercado para chegaram ao seu objetivo”, observa Baratelli.

Outro entusiasta do prêmio é Franklin Dias Coelho, Secretário Especial de Ciência e Tecnologia, que diz ter se apaixonado pelo projeto no momento em que assumiu a secretaria.

“O momento pelo qual passamos no Rio é de muita demanda, inclusive na área de tecnologia e inovação. Mas os jovens tendem a se interessar mais pela área de ciências sociais. Este prêmio estimula para que as pessoas tenham capacidade de criar ideias que tragam inovação junto com a tecnologia, com capacidade empreendedora. Hoje os jovens vieram para brilhar, que é o que eles devem fazer”, comenta o secretário.

A quinta edição do PINCE trouxe algumas novidades, como a premiação para os alunos que se destacaram nas apresentações, com a inclusão de projetos de deficientes visuais, de professores aposentados e com a participação de duas escolas do Espírito Santo.

Premiação

Dos dez trabalhos inscritos, oito foram premiados, dentro de quatro categorias. Na categoria Ensino de Jovens Adultos (Ensino Médio), o ganhador foi Colégio Mercúrio, com o projeto Eco Telha e Concreto Ambiental. No Ensino Médio Regular, quem ganhou foi o Colégio Estadual Julia Kubitschek, com o Quadro Multifuncional, destinado a deficientes visuais.A professora de matemática Olânova Scalzo conta que começou a desenvolver o quadro quando recebeu o desafio de ensinar ciências exatas a deficientes visuais.

"Matemática parece ser um bicho de sete cabeças para os alunos. Os que enxergam normalmente já têm dificuldades, então quando eu me vi tendo que ensinar para deficientes, fiquei sem saber o que fazer. Na época eu me desestruturei, mas depois vi que eram todos alunos, e que de aluno eu sei dar conta. Com pesquisas comecei a desenvolver vários materiais adaptados", conta ela, que recebeu muito emociona o prêmio pelo Quadro Multifuncional, feito de madeira MDF, onde os alunos podem colar as células braile com velcro para resolver equações, fórmulas químicas, entre outras coisas. 

As demais categorias tiveram três premiados. Em Ensino Médio Técnico, o primeiro lugar ficou para Escola Técnica Estadual Henrique Lage, com o projeto Sensor de Presença Inteligente e Sistema de Alarme Programável. A necessidade foi identificada dentro da escola e os alunos fizeram uma pesquisa de campo para analisar se outras escolas também tinham esta mesma necessidade. Com a resposta positiva de outros 10 colégios públicos, o grupo tratou de desenvolver um alarme que atende às funções específicas do ambiente escolar, descartando as demais funções de um alarme comum, o que barateou o produto.

“Desenvolver o projeto foi difícil, pois a gente vê nossos limites, aprende quais são nossas fraquezas e aprende a controlar tudo isso. Esta é nossa experiência do dia a dia, porque a vida não é fácil e a experiência profissional está aí para melhorar isso”, diz a aluna Leylane Vieira Granzotto, 18 anos, que participou do grupo junto com Marcos Paulo Nomura de Siqueira, 17.

O segundo lugar ficou com o Colégio Estadual Comendador Valentim dos Santos Diniz, com o projeto Do Leite ao Pão. O Bueiro Coletor, da Escola Técnica Estadual Mercedes Mendes Teixeira, ficou em terceiro lugar.

Na categoria Ensino Médio Regular, o Colégio Israelita Brasileiro recebeu os prêmios de primeiro e terceiro lugar, com os projetos Bengala Eletrônica e Exoesqueleto para Cegos, respectivamente. O segundo lugar ficou com o pólo de Educação Pelo Trabalho Fernando de Azevedo, com o projeto Papel Cimento.