Segunda-feira é dia de faxina e silêncio na favela da Rocinha

Em um dia, cerca de 3 mil homens das forças de Segurança do Rio de Janeiro, apoiados pela Marinha do Brasil, ocupam um território habitado por cerca de 70 mil moradores. No outro, eles tocam a vida, como se nada estivesse se passando por ali. Lado a lado, policiais fortemente armados visitam algumas residências. De tempo em tempo, descem o morro com alguma apreensão. Caça-níqueis, drogas, armas...

Homens do serviço de limpeza retiram o lixo acumulado. Com as mãos, pás e vassouras, levam tudo para as caçambas, que descem lotadas. Esta é a segunda-feira na Rocinha. Dia de muito trabalho, limpeza, mas, sobretudo, de um silêncio desconfiado.

Se o narcotráfico da Rocinha teve uma quebra com a prisão de seu líder Antônio Bonfim Lopes, o Nem, detido na quinta-feira, dentro do porta-malas de um carro ao tentar deixar a favela, não se pode ignorar todo o universo que girava em torno dele. Nem todos os traficantes saíram da Rocinha, ainda que estejam provisoriamente invisíveis.

Justamente por isso, poucos se arriscam a falar abertamente sobre qualquer coisa que envolva o tráfico de drogas. No melhor estilo cada um cuida da sua vida, tocam as suas atividades diárias. Comércio totalmente aberto - inclusive a agência da Caixa que funciona no interior da comunidade - lojas, comércio ambulante. O sobe e desce da comunidade é o de um dia quase comum, não fosse a presença ostensiva dos policiais e dos serviços básicos do poder público, que andaram distantes do local na última semana.

O maior trabalho é para a retirada da pilha de lixo que se formou em vários pontos da favela nos últimos dias. Desde a noite de ontem, um chove e para constante na Rocinha ajuda a espalhar o odor do lixo. Com a retirada das montanhas de detritos, a precariedade da comunidade fica exposta na imagem dos ratos que correm para cima e para baixo.

Com a queda dos sinais clandestinos de TV por assinatura, vendedores do sinal das concessionárias estão espalhados por todos os cantos. Movidos por comissão, estão felizes. Dizem que as vendas estão ótimas. No meio do feriado prolongado é hora de refazer os negócios.