Rocinha já está totalmente ocupada

Operação durou menos de duas horas e ocorreu sem troca de tiros

A Favela da Rocinha já está totalmente ocupada pelas forças de segurança do Rio sem um único disparo. A operação durou menos de duas horas. Com início antecipado para as 4h10, terminou por volta das 6h. Os policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) iniciaram a operação "Choque pela Paz" e encontraram vários obstáculos na entrada da favela.  

Entre eles, óleo que foi jogado nas vias de acesso, dificultando a movimentação dos carros do batalhão, os chamados "caveirões". Os obstáculos, no entanto, puderam ser logo transpostos com a entrada dos veículos da Marinha chamados "lagartos anfíbios", que pesam 22 toneladas e têm capacidade para 25 fuzileiros.

Também foram vistas, especialmente na entrada da comunidade, muitas motocicletas abandonadas, inteiras ou carcaças. Em novembro do ano passado, na ocupação da favela do Cruzeiro, cerca de 300 motos foram apreendidas. 

A Marinha usa 18 carros blindados e um efetivo de 194 pessoas, sendo 19 oficiais e 175 praças, na ocupação da favela. De acordo com o capitão de mar e guerra Yerson de Oliveira Neto, responsável pela tropa, trata-se do maior contingente de militares já utilizado em ações em comunidades do Rio. No ano passado, 127 militares da Marinha participaram da ocupação do Complexo do Alemão, na zona norte da cidade.

Além dos fuzileiros navais, a Operação Choque de Paz, de ocupação da Favela da Rocinha, contou com efetivos dos batalhões de Operações Policiais Especiais (Bope) e de Choque, da Polícia Civil, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal. A ação prepara a área para a instalação, em data ainda não definida, da 19ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no estado. 

 Oliveira Neto destacou que o papel das Forças Armadas amanhã será dar apoio logístico de transporte à polícia. “Identificamos a necessidade de utilizar um efetivo maior tanto de blindados quanto de pessoas. No Alemão, o trabalho foi feito em um momento de muita crise, de surpresa, e agora tivemos tempo de planejar”, disse ele, durante entrevista na base da Força de Fuzileiros de Esquadra, na Baixada Fluminense. O capitão ressaltou que contou com imagens aéreas para mapear a comunidade e definir como se dará o deslocamento dos blindados. Ele acredita que a movimentação será menos complexa do que no Alemão porque as ruas são mais largas e já recebem fluxo de ônibus urbanos. 

Oliveira Neto garantiu que as equipes estão bem treinadas e foram orientadas para evitar danos aos moradores. “Estamos preparados para o combate, para o pior. A orientação para os fuzileiros é que tenham muito cuidado com a vida da população civil. Recomendamos aos moradores que deixem as vias por onde os blindados vão passar livres de qualquer obstáculo”, disse. Ele também enfatizou que a entrada na comunidade se dará com diversas ações simultâneas, por terra e pelo ar, "para criar desordem, desarticular e não dar chance a qualquer tipo de reação às forças de ocupação". 

A Operação Choque de Paz conta ainda com bloqueios da Polícia Rodoviária Federal nas principais saídas do Rio e ações de inteligência da Polícia Federal. O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro montou um hospital de campanha com seis leitos na quadra do Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha. Os Bombeiros terão também três ambulâncias avançadas, que ficarão em frente à quadra, somando um efetivo total de 15 homens à disposição.