"O tráfico perdeu", diz Secretário de Segurança sobre operação na Rocinha

O governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, falou com jornalistas sobre a Operação Choque de Paz nas comunidades da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, momentos antes de entrar na coletiva de imprensa no 23º BPM (Leblon). O político aproveitou para agradecer à presidente Dilma Rousseff, à prefeitura do Rio e aos órgãos de segurança envolvidos na operação conjunta deste domingo.

"Há cinco meses tive uma reunião com a Dilma para pedir que o Exército ficasse mais tempo no Complexo do Alemão e no Complexo da Penha e foi por este motivo que conseguimos avançar nesta operação na Rocinha e no Vidigal", disse.

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O secretário de segurança, José Mariano Beltrame, também aproveitou o momento para agradecer o trabalho dos "valorosos policiais". "Numa ação desta, alguém perde e alguém ganha. Nessa situação, o tráfico perdeu", disse. 

Beltrame também destacou o trabalho unificado das policias Militar, Civil e Federal em conjunto com as Forças Armadas e a Marinha. De acordo com ele, as Forças Especiais do Bope e do Batalhão de Choque permanecerão na comunidade até fazer a transição do território para policiais comunitários, mas não há uma data prevista.

Sobre o paradeiro dos 200 bandidos desaparecidos - apenas um traficante foi preso na operação - o governador Sérgio Cabral se esquivou. "Você tem que perguntar isso ao secretário de segurança. Governador não é especialista em segurança, é gestor de pessoas", rebateu.

Já Beltrame admitiu que ainda há muitos bandidos foragidos, mas que o principal objetivo das forças policiais era de devolver o território para o Estado e para a população. 

"Esse trabalho ainda é muito prematuro, temos apenas 4h de operação, e agora foi dado o ponto para que as instituições começassem a varredura", informou Beltrame. "Já temos armas e motocicletas apreendidas, mas a área é muito grande", continuou, informando que até o fim do dia se reunirá novamente com a imprensa com novas informações.

Beltrame disse ainda que a realização de novos concursos e o cronograma de formação de policiais para atuar nas unidades de Polícia Pacificadora (UPP) são “questões que precisam ser enfrentadas”. Ele ressaltou, no entanto, que o plano de expansão das UPPs para atingir 40 unidades até 2014, conforme previsto pelo governo, está mantido.

“Todas essas questões são importantes e têm que ser enfrentadas. Podem cobrar do administrador público atitude, mas não podemos deixar de fazer achando que não vamos conseguir. Este programa está previsto, foi estabelecido nas 40 unidades, tem condição de acontecer e assim será feito”.

Mochilhas proibidas durante varreduras

O chefe de Estado Maior Operacional da PM, Coronel Pinheiro Neto, confirmou, ainda, que os policiais que fazem a varredura na Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu foram orientados a não usar mochilas. Só é permitido em casos excepcionais para o transporte de equipamentos  especiais, como explosivos.