Bandeiras do Rio e do Brasil são hasteadas na Rocinha e no Vidigal

Ao som de muitos aplausos dos moradores, as bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro foram hasteadas, por volta das 13h  deste domingo, em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da favela da Rocinha, em São Conrado, Zona Sul do Rio de Janeiro. Mais tarde, às 14h30, foi a vez de o Vidigal receber a cerimônia. Segundo a PM, 160 homens do Batalhão de Choque vão permanecer na comunidade até que a UPP seja implantada.

O ato, que também foi realizado em outras comunidades pacificadas, representa a expulsão dos criminosos e a volta do poder público à região.  Participaram das duas cerimônias representantes de todas as instituições que colaboraram com a Operação Choque de Paz. Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, cantaram o hino nacional e depois o hino da corporação. Fumaça azul foi usada para simbolizar a comemoração.

"A ação representa o sucesso de um planejamento detalhado e de união de forças. Diferentes forças com diferentes rotinas que se uniram com o objetivo comum de tomar o espaço e devolver ao povo o que ele merece", disse após o hasteamento das bandeiras o comandante da Operação de Tomada da Rocinha, coronel Pinheiro Neto.

A pacificação das comunidades da Rocinha, do Vidigal e da Chácara do Céu, na Zona Sul do Rio, foi iniciada na madrugada deste domingo. Os Batalhões de Operações Policiais Especiais (Bope) e de Choque, com o apoio da Polícia Civil, de helicópteros das polícias Civil e Militar, veículos blindados dos Fuzileiros Navais, agentes da Polícia Rodoviária e efetivos da Polícia Federal, começaram a Operação Choque de Paz às 4h. Duas horas depois, o Bope anunciou a tomada completa das três comunidades, sem qualquer confronto com os traficantes.

Poucos minutos após a ocupação total, os blindados da Marinha começaram a deixar as comunidades. 

Os policiais do Batalhão de Operações Especiais encontraram vários obstáculos na entrada da favela. Entre eles, óleo que foi jogado nas vias de acesso, dificultando a movimentação dos carros do batalhão, os chamados "caveirões". Os obstáculos, no entanto, foram transpostos com a entrada dos veículos da Marinha chamados "lagartos anfíbios", que pesam 22 toneladas e têm capacidade para 25 fuzileiros.

Também foram vistas, especialmente na entrada da comunidade, muitas motocicletas abandonadas, inteiras ou carcaças. Em novembro do ano passado, na ocupação da favela do Cruzeiro, cerca de 300 motos foram apreendidas.

Momentos antes da ação na maior comunidade da América Latina, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, conversou com a tropa de 400 policiais do Bope. O secretário motivou os policiais que participam da ocupação, quando parte dos tanques partiu do 23º  Batalhão de Polícia Militar, no Leblon. Moradores do bairro também acompanharam a partida da tropa, que foi aplaudida. No Vidigal, estão a Polícia Civil e o Choque.

Cerca de 3 mil homens participam da operação, com o apoio de seis blindados do Bope, 18 blindados da Marinha, quatro helicópteros da PM e três, da Civil. No total, mil homens das forças policiais do Estado estão nas três comunidades, além de 194 fuzileiros navais, 160 agentes da Polícia Federal e 46 policiais da Polícia Rodoviária. A Polícia Civil participa com 186 agentes. Outros 1,3 mil homens estão mobilizados para a Operação Choque de Paz em diversos pontos da cidade.

Depois do processo de retomada do território antes dominado por criminosos, as comunidades receberão em breve a 19ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Estado. O efetivo e o número de bases operacionais da nova UPP serão definidos após reconhecimento do terreno pela Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP). Com a pacificação, os 72.458 moradores da Rocinha, e os 11.321 do Vidigal e Chácara do Céu, além da população que vive no entorno das comunidades, serão beneficiados.