Sobe para 14 número de presos pela Operação Faraó

O policial Argemiro Garcia Correa entregou-se à Corregedoria Geral Unificada (CGU), na manhã desta quarta-feira, dia 10. Com ele, sobre para 14 o número de presos na Operação Faraó. A ação desencadeou uma ação proativa no combate à corrupção policial. O advogado de um dos dois policiais ainda foragidos já sinalizou a intenção de seu cliente em se entregar à CGU.

Coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MP), e pela Corregedoria Geral Unificada (CGU) da Secretaria estadual de Segurança, a Operação Faraó atuou na capital, em Teresópolis, Friburgo, São Gonçalo, e na Baixada Fluminense. Entre os que foram detidos até o momento estpa delegado-chefe do Núcleo de Controle de Presos (Nucop), que já havia sido denunciado pela prática dos mesmos crimes da Polinter de Nova Iguaçu, e estava sob investigação por implementar o mesmo esquema em Araruama.

De acordo com o promotor Décio Alonso Gomes, do Gaeco, a carceragem da Polinter de Nova Friburgo, desativada em outubro último durante as investigações, estava controlada pelo esquema de corrupção que envolvia presos e policiais. Eles cobravam taxas para permitir visitas, visitas íntimas, e para impedir ou permitir transferência de presos.

O esquema de corrupção arrecadava R$ 10 por hora de visita a um preso e de R$ 1.500 a R$ 3 mil em relação às transferências. As investigações começaram há oito meses a partir de denúncias de parentes de presos, que, em alguns dos casos, eram vítimas de extorsão por parte da quadrilha.

O promotor disse ainda que os presos saíam da carceragem para várias atividades. Um dos capturados nesta manhã chegou a sair da Polinter de Nova Friburgo para fazer uma "saidinha de banco" no Leblon (Zona Sul), onde teria roubado R$8 mil de uma vítima. Outro preso teria chegado a sair da carceragem para tratar da abertura de uma franquia de uma loja de móveis planejados em um shopping center de Niterói, negociação que giraria em torno de R$ 500 mil, e serviria para lavar o dinheiro obtido com o esquema.

"Não é à toa que, numa gravação de agosto passado, um dos presos da operação dizia que a Polinter de Nova Friburgo era um spa. Ouvimos que ele comia bolinhos de bacalhau e bebia chope em um bar próximo ao local onde deveria estar detido", destacou o promotor. "O poder destes presos era tanto, que um policial civil bateu com uma viatura oficial e telefonou para o chefe da quadrilha para informar o episódio, em vez de relatar o ocorrido ao seu superior".

Dois envolvidos no esquema ainda estão sendo procurados e, segundo o promotor, um deles já entrou em contato com a polícia para negociar uma forma de se entregar. Ainda de acordo com o representante do MP, ambos são policiais.

Todos os envolvidos serão indiciados pelos crimes de formação de quadrilha, usurpação de função pública e prevaricação. Alguns envolvidos também serão acusados do crime de concussão (extorsão praticada por funcionário público no exercício da função), informou a Secretaria.