Reforçado policiamento no entorno da Rocinha

Homens do 23º BPM (Leblon) e do Batalhão de Choque reforçam o patrulhamento no entorno da Rocinha, em São Conrado, Zona Sul do Rio de Janeiro. No fim da noite desta terça-feira, cerca de 50 policiais militares cercaram a comunidade e revistaram moradores e motociclistas que trafegavam pela Estrada da Gávea, um dos acessos à favela.

Contatado pelo JB via Twitter, o blogueiro William da Rocinha garantiu que o interior da comunidade estava aparentemente tranquilo no início da madrugada, informação que foi prontamente confirmada pela Polícia Militar. Parte da favela, entretanto, chegou a ficar sem energia elétrica durante a noite.

Sem luz, Rocinha é cercada pela polícia, relatam moradores

A operação policial, a segunda em pouco menos de uma semana, é um indício de que o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) está prestes a invadir a Rocinha para que a 19ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Estado possa ser instalada no local, considerado um dos maiores símbolos da força do crime organizado no Rio de Janeiro. 

Antes da ocupação agentes de diversas delegacias especializadas da Polícia Civil deverão ser mobilizados para realizar incursões com o objetivo de combater irregularidades como a venda de produtos piratas e a comercialização de redes de tv a cabo clandestinas, popularmente como "gatonet".  O objetivo é diminuir o poderio econômico e territorial da quadrilha do traficante Antônio Bonfim Lopes, o "Nem", responsável pelas bocas de fumo na comunidade.

'Nem' foi atendido em UPA 24 horas

Policiais civis da 15ª DP (Gávea) abriram investigações para apurar as causas do atendimento médico ao traficante "Nem" na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da comunidade. A informação que o traficante esteve na unidade na segunda-feira foi confirmada nesta manhã pelo delegado da 15ª DP (Gávea), Carlos Augusto Nogueira Pinto.

Apesar de não saber o que motivou a ida do chefão do tráfico da maior favela do Rio à UPA, a polícia suspeita que o traficante teria sido atingido por um tiro ou passado mal após uma overdose de ecstasy associado ao whisky. Relatos dão conta de que Nem teria promovido uma festa de despedida antes de fugir do morro, já prevendo a operação de pacificação.

A Secretaria Municipal de Saúde disse que não tem informações do atendimento do traficante na unidade, mas garantiu que o funcionamento do local foi normal.

O início da pacificação da Rocinha é uma tendência natural após a PM concluir o ciclo de operações nas comunidades em torno do estádio do Maracanã, e no Complexo do Alemão.