Polícia diz que ocupação na Rocinha segue por tempo indeterminado

A Polícia Militar informou que os homens do 23º BPM (Leblon) e do Batalhão de Choque, que desde o início desta quinta-feira reforçam o patrulhamento no entorno da Rocinha, em São Conrado, Zona Sul do Rio de Janeiro, ficarão no local por tempo indeterminado. Segundo a corporação, o objetivo é impedir a fuga de criminosos. 

Apesar de o clima no momento ser de aparente tranquilidade, duas escolas não funcionaram esta manhã. Alguns moradores afirmaram que os professores faltaram com medo de um possível confronto; outros disseram que traficantes teriam ordenado o fechamento das unidades. 

Procurada, a Secretaria municipal de Educação afirmou que os professores de duas escolas encontram-se em um centro de estudos na Escola Municipal Rinaldo de Lamare, no mesmo bairro. A atividade, entretanto, já estaria prevista há algum tempo. O órgão ainda garantiu que as creches locais funcionam normalmente.

Como antecipou em primeira mão, na noite de terça-feira, a colunista do JB Anna Ramalho, cerca de 50 policiais militares cercaram a comunidade e revistaram moradores e motociclistas que trafegavam pela Estrada da Gávea, um dos acessos à favela. Contatado pelo JB via Twitter, o blogueiro William da Rocinha garantiu que o interior da comunidade estava aparentemente tranquilo no início da madrugada, informação que foi prontamente confirmada pela Polícia Militar. Parte da favela, entretanto, chegou a ficar sem energia elétrica durante a noite.

Sem luz, Rocinha é cercada pela polícia, relatam moradores

A operação policial, a segunda em pouco menos de uma semana, é um indício de que o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) está prestes a invadir a Rocinha para que a 19ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Estado possa ser instalada no local, considerado um dos maiores símbolos da força do crime organizado no Rio de Janeiro. 

Antes da ocupação agentes de diversas delegacias especializadas da Polícia Civil deverão ser mobilizados para realizar incursões com o objetivo de combater irregularidades como a venda de produtos piratas e a comercialização de redes de tv a cabo clandestinas, popularmente como "gatonet".  

'Nem' foi atendido em UPA 24 horas

Policiais civis da 15ª DP (Gávea) abriram investigações para apurar as causas do atendimento médico ao traficante "Nem" na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da comunidade. A informação que o traficante esteve na unidade na segunda-feira foi confirmada nesta manhã pelo delegado da 15ª DP (Gávea), Carlos Augusto Nogueira Pinto

Apesar de não saber o que motivou a ida do chefão do tráfico da maior favela do Rio à UPA, a polícia suspeita que o traficante teria sido atingido por um tiro ou passado mal após uma overdose de ecstasy associado ao whisky. Relatos dão conta de que Nem teria promovido uma festa de despedida antes de fugir do morro, já prevendo a operação de pacificação.

O início da pacificação da Rocinha é uma tendência natural após a PM concluir o ciclo de operações nas comunidades em torno do estádio do Maracanã, e no Complexo do Alemão.