MP: presos deixavam Polinter para cometer crimes e fazer negócios

Investigação indica que facilidades eram comercializadas nas carceragens do Rio

Uma ação policial desbaratou, nesta terça-feira, uma quadrilha que comercializava facilidades nas carceragens da Polinter no Rio de Janeiro. Coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MP), e pela Corregedoria Geral Unificada (CGU) da Secretaria estadual de Segurança, a Operação Faraó atuou na capital, em Teresópolis, Friburgo, São Gonçalo, e na Baixada Fluminense. Por enquanto, 12 pessoas foram presas, entre eles o delegado-chefe do Núcleo de Controle de Presos (Nucop), que já havia sido denunciado pela prática dos mesmos crimes da Polinter de Nova Iguaçu, e estava sob investigação por implementar o mesmo esquema em Araruama.

De acordo com o promotor Décio Alonso Gomes, do Gaeco, a carceragem da Polinter de Nova Friburgo, desativada em outubro último durante as investigações, estava controlada pelo esquema de corrupção que envolvia presos e policiais. Eles cobravam taxas para permitir visitas, visitas íntimas, e para impedir ou permitir transferência de presos.

O esquema de corrupção arrecadava R$ 10 por hora de visita a um preso e de R$ 1.500 a R$ 3 mil em relação às transferências. As investigações começaram há oito meses a partir de denúncias de parentes de presos, que, em alguns dos casos, eram vítimas de extorsão por parte da quadrilha.

O promotor disse ainda que os presos saíam da carceragem para várias atividades. Um dos capturados nesta manhã chegou a sair da Polinter de Nova Friburgo para fazer uma "saidinha de banco" no Leblon (Zona Sul), onde teria roubado R$8 mil de uma vítima. Outro preso teria chegado a sair da carceragem para tratar da abertura de uma franquia de uma loja de móveis planejados em um shopping center de Niterói, negociação que giraria em torno de R$ 500 mil, e serviria para lavar o dinheiro obtido com o esquema.

"Não é à toa que, numa gravação de agosto passado, um dos presos da operação dizia que a Polinter de Nova Friburgo era um spa. Ouvimos que ele comia bolinhos de bacalhau e bebia chope em um bar próximo ao local ondedeveria estar detido", destacou o promotor. "O poder destes presos era tanto, que um policial civil bateu com uma viatura oficial e telefonou para o chefe da quadrilha para informar o episódio, em vez de relatar o ocorrido ao seu superior".

Quatro envolvidos no esquema ainda estão sendo procurados e, segundo o promotor, um deles já entrou em contato com a polícia para negociar uma forma de se entregar. Ainda de acordo com o representante do MP, os quatro procurados são policiais.

Todos os envolvidos serão indiciados pelos crimes de formação de quadrilha, usurpação de função pública e prevaricação. Alguns envolvidos também serão acusados do crime de concussão (extorsão praticada por funcionário público no exercício da função), informou a Secretaria.

Os agentes também cumprem 16 mandados de busca e apreensão.

Roubo de carga

Agentes foram até a casa que seria do inspetor civil Antônio Carlos Ferreira, na Estrada Caneca Fina, em Guapimirim, na Baixada Fluminense, cumprir mandado de prisão e busca e apreensão. Contudo, ao chegar no local, policiais foram informados que o acusado não mora na residência. Nos fundos da casa foram encontrados móveis e calçados, que pertecem ao atual dono da casa, um comerciante da região.