Prêmio da BPW-Rio em parceria com JB homenageia mulheres cariocas

Cerimônia aconteceu na Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa

Na noite desta segunda-feira (7) foi entregue, na Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, no Flamengo, Zona Sul do Rio, o Prêmio Mulher - Destaque BPW-Rio 2011, que homenageou as mulheres que fazem a diferença na comunidade carioca e fluminense nas categorias Educação, Saúde, Cultura, Ação Social, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Médias Empresas, Grandes Empresas, Esporte e Moda. O evento, uma parceria da ONG Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais do Rio de Janeiro (BPW-Rio) com a Casa Brasil e o Jornal do Brasil, uniu elegância e descontração, embalados por uma banda instrumental que tocou desde Beatles a Frank Sinatra. Entre as presentes, a presidente do Jornal do Brasil, Angela Moreira, e a anfitriã da noite, Alice Tamborindeguy, que preside a BPW-Rio desde o início do ano.

Durante a cerimônia, Alice demonstrava orgulho do trabalho da ONG, que mobiliza mulheres de negócios para estimular o uso de suas competências e desenvolver outras mulheres, ampliando, assim, sua representatividade na sociedade e no mercado de trabalho:

“Estou gostando muito do nosso trabalho, porque é uma oportunidade de conhecer novas mulheres, novos talentos, pessoas que fazem a diferença com seus trabalhos", disse. "Este prêmio é para reconhecer os trabalhos destas mulheres, que muitas vezes a gente nem poderia imaginar que existissem, mas fazem esse trabalho tão maravilhoso que impulsiona o progresso do nosso Brasil. É muito importante reverenciar o trabalho de cada uma delas”.

Sobre o papel da mulher na sociedade, Alice se anima com o fato de a mulher avançar no mercado de trabalho, e brinca:

“Essa história de falarem que por trás de um homem tem sempre uma grande mulher não é verdade. A mulher está na vanguarda, na dianteira. Muitas mulheres já estão muito mais à frente. E isso é muito bom, porque é saudável e democrático”.

Em média, três mulheres foram indicadas para cada categoria por importantes entidades dentro de seu segmento. A escolha foi feita por um grupo de julgadores, referências em suas áreas. Na categoria Educação, a premiada foi a professora Teresinha Saraiva , há mais de 60 anos no magistério e atualmente assessora do presidente da Fundação Cesgranrio, onde coordena  o projeto Apostando no Futuro, desenvolvido em quatro comunidades de baixa renda do Rio Comprido. Na categoria Saúde, a vencedora foi a médica Vera Gaensly Cordeiro, que também ganhou o Destaque Especial do Prêmio Mulher BPW-Rio por seu trabalho à frente da Associação Saúde Criança. A juíza Ivone Ferreira Caetano ganhou o prêmio na categoria Ação Social. Titular da Vara da Infância e Juventude, a magistrada exerceu as atividades de lavadeira, empregada doméstica e cabeleireira antes de se formar em direito, em 1975, e ingressar no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, em 1993.

“Esse prêmio é muito importante, primeiro porque é um reconhecimento. Segundo, porque eu fui indicada por uma das pessoas mais corajosas que conheço, o secretário Municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem.  E, terceiro, porque o fato de eu estar aqui, em meio a tantas mulheres vencedoras, também me faz considerar uma vencedora. Tento ser um referencial para as mulheres que tiveram a mesma origem que a minha”, orgulhou-se a juíza.

Na categoria Cultura, a contemplada foi a produtora Aniela Jordan, à frente da Aventura Entretenimento, responsável pela solidificação dos musicais no Brasil. Samyra Crespo, secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente e ativista do movimento ambientalista há 22 anos, foi a vencedora na categoria Meio Ambiente. Quem levou o prêmio da categoria Ciência e tecnologia foi Belita Koiller, doutora em física pela Universidade da Califórnia e coordenadora da área de Física na Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro (Faperj).  Na Moda, a premiada foi uma das designers de acessórios mais reconhecidas e prestigiadas no Brasil, Glorinha Paranaguá. Ao JB, Glorinha reconheceu que sua sensibilidade de trabalhar com materiais essencialmente brasileiros só poderia existir em uma mulher.

“Minha mãe trabalhava com moda, então sempre convivi com isso em casa. Trabalho com materiais brasileiros e dou a eles um ar sofisticado. Com certeza, minha sensibilidade feminina ajuda muito”, contou.

Ângela Maria Machado Costa levou o prêmio na categoria Médias Empresas, por seu trabalho como vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Na categoria Grandes Empresas, o prêmio foi para a primeira e única mulher a ocupar a presidência da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Maria Silvia Bastos Marques. Na categoria Esporte a ganhadora foi Patrícia Amorim, que em seu discurso fez questão de deixar claro que “ser presidente do Flamengo não é para qualquer uma”.

“Tentar cada vez mais aproximar o clube de sua torcida é um desafio constante, porque não tem uma lógica. Seu trabalho muitas vezes não depende da sua competência administrativa, mas se a bola vai entrar ou se vai bater na trave. Pessoalmente, a dificuldade é por ser mulher e ter sempre uma desconfiança, já que é um ambiente predominantemente masculino. Expresso minha feminilidade na organização, na sensibilidade, paciência e, principalmente, no bom humor”, disse ela ao JB, entre muitos pedidos de fotos.

Palestra magna

A convite da presidente do Jornal do Brasil, Ângela Moreira, a diretora da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Magda Chambriard, deu uma palestra sobre os desafios da Mulher Profissional de Negócios no século 21.  Ela iniciou a palestra fazendo citações às revistas dos anos 50 e 60, que afirmavam coisas como “o trabalho masculiniza”, lembrando o tempo em que a mulher precisava pedir autorização ao marido para trabalhar. Mesmo com conquistas como a Constituição de 88 e a Lei Maria da Penha, de 2006, Magda acredita que ainda há resquícios dessa mulher dos anos 50 na sociedade atual, e constatou que, apesar de serem mais escolarizadas, as mulheres ganham cerca de 30% menos que os homens.

Ela finalizou a palestra falando de sua trajetória na área petrolífera, e convidando as mulheres a participarem da gestão deste setor nesta época de expansão, pois “existem mulheres treinadas e capazes e nossa obrigação hoje é enxergá-las”.

A presidente do JB também reconhece o progresso feminino no mercado de trabalho, mas aponta que as mulheres precisam fazer “três ou quatro vezes mais para chegar ao mesmo lugar dos homens”.

“Eu acho que as mulheres ainda são pouco ouvidas. A gente ainda precisa brigar pelo nosso espaço. Temos muito mais empecilhos neste nosso caminho, como filhos, marido, casa. Precisamos encontrar nosso espaço profissional, mas também temos que aprender a dividir com os outros os lados de mãe, mulher, amiga, filha. E os homens, por sua vez, acham que nós não vamos conseguir, pois temos que redobrar os esforços para chegar aonde queremos”, opina Ângela Moreira.                                               

Leia a íntegra do discurso de Angela Moreira, presidente do Jornal do Brasil:

Prezada doutora Adriana Ancelmo, primeira-dama do nosso Estado,

Prezada sra. Elizabeth Serpa, nossa anfitriã desta noite,

Prezada sra. Monica Motta Filipo, representando o presidente do júri, dr. Humberto Motta,

Prezada sra. Mirim Ripper, coordenadora do Prêmio  Brasil BPW-Rio- 2011,

Prezado dr. Carlos Alberto Muniz, vice-prefeito do Rio de Janeiro,

Prezada sra. Magda Chambriard, diretora  da ANP e a palestrante desta solenidade,

Por último, mas não em último – eu quase diria em primeiro – prezada deputada Alice Tamborindeguy, presidente da BPW-Rio.

Minhas caras amigas, meus caros amigos,

É com dupla satisfação – a de ser mulher e de estar presidente do Jornal do Brasil neste último ano – que saúdo os meus companheiros de mesa, todos os presentes e, sobretudo, as mulheres premiadas hoje.

Este primeiro Prêmio Mulher Destaque Rio 2011 é uma iniciativa da Business Professional Women, em parceria com a Casa Brasil e com o apoio do Jornal do Brasil e da Casa de Cultura Julieta de Serpa.

E, obviamente, o resultado da dedicação e do dinamismo da sua presidente-Rio , como já mencionamos, Alice Tamborindeguy.

O prêmio tem por objetivo reconhecer e dar visibilidade às mulheres que se destacaram neste ano por suas ações e iniciativas em prol do desenvolvimento sustentável da sociedade fluminense e carioca, nos seus diversos segmentos. Mas essas ações tiveram que se mostrar criativas, inovadoras e, sobretudo, eficazes, para sensibilizarem o júri que consagrou cada uma das vencedoras nas 10 nas categorias que balizaram essa premiação.

A BPW é uma organização não-governamental, fundada na Suiça e presente em mais de 100 países. A sua representação no estado do Rio tem por objetivo concreto mobilizar as mulheres de negócios e profissionais fluminenses e cariocas a desenvolverem as suas competências e estimularem o empreendedorismo feminino, de forma a expandir toda a cadeia produtiva dos diversos setores da economia e dos serviços do nosso estado.

Aliás, para nós - do Jornal do Brasil - essa atitude empresarial não é novidade. 

Fundado em 1891, menos de  2 anos depois, uma mulher – Clotilde Doyle – foi convidada a escrever uma seção destinada ao mundo feminino. O primeiro espaço do gênero em toda a história da imprensa brasileira.

E no decorrer dos anos seguintes, centenas de outras mulheres ocuparam a redação do JB, das quais menciono aleatoriamente Ana Arruda Callado, Regina Zappa, Norma Curi, Silvia Donato – a primeira jornalista da mídia brasileira a receber o Prêmio Esso de Jornalismo, em 1961, pela reportagem “Adote uma Criança” – e, mais recentemente, Danuza Leão, Cristina Konder, Márcia Peltier, Ana Maria Tahan, Belisa Ribeiro, Marina Colassanti, Hildegard Angel e tantas outras que preencheram com o seu talento e extremo profissionalismo milhares de colunas do nosso periódico.

Felizmente, continuam conosco veteranas como Heloísa Tolipan, também Prêmio Esso de Jornalismo em 1987, Iesa Rodrigues e Ana Maria Ramalho, sem esquecer que um dos dois editores principais do atual JB digital é a jornalista Deborah Lannes.

E sem esquecer, igualmente, que em 1953 – em uma época em que a presença da mulher no primeiro escalão de qualquer governo ou empresa era rara - a maranhense Maurina Dunchee de Abranches, a Condessa, como ficou conhecida, assumiu a presidência do JB e durante 29 anos, até a sua morte, dirigiu o jornal com a coragem de implantar a maior reforma gráfica que um grande jornal carioca redesenhou no século 20 e, ao mesmo tempo, conduzir com habilidade e diplomacia a eterna dicotomia entre os ímpetos da redação – e as exigências da sociedade e do mercado.

Vinte e sete anos depois chegou a minha vez e coube a mim conduzir com a paciência e determinação, que são os traços do meu temperamento, o salto do jornal impresso para o jornal inteiramente digitalizado, como ele é hoje, gerenciando o travo de incerteza que uma mudança dessa ordem sempre suscita, tanto junto à “prata da Casa”, quanto na opinião da comunidade leitora e de anunciantes do JB.

Mas, graças a Deus,  pude por em prática todo o arsenal de doçura e firmeza que fui buscar no cardápio da alma feminina e participar de forma ativa dessa transformação profunda que não apenas oferece ao leitor os mais velozes instrumentos de acesso à informação planetária, mas é um marco do respeito ao Meio Ambiente.

Ao finalizar, volto a cumprimentar cada uma e todas as mulheres premiadas – a tentação é estender a saudação a todas as mulheres produtivas do nosso estado – porque tiveram a determinação de traçar com o seus exemplos novas fronteiras de combate ao desperdício.

Porque optaram por trocar o comodismo de uma vida acomodada pelo desafio de tratar diferentemente – os diferentes.

E porque, enfim, cumprem com sentido de missão – como é de nossa índole – a tarefa de ajudar a construir uma sociedade mais limpa, mais justa e decidida a estabelecer um novo pacto de convívio comunitário, em que as aspirações de progresso econômico se coadunam  com a  imensa responsabilidade de erradicar a doença, a ignorância, o desemprego e os preconceitos de toda ordem que constituem a forma mais cruel de poluição social.

Parabéns, portanto, às guerreiras desse bom combate pelos prêmios merecidos e muito obrigada a todos pela atenção e pelo carinho de suas presenças.

Angela Moreira

Presidente do Jornal do Brasil

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