Morte de cinegrafista não pode ser atribuída a PM, diz instituto

Para o diretor do International News Safety Institute (Insi) no Brasil, Marcelo Moreira, a Polícia Militar do Rio de Janeiro não teve culpa pela morte do cinegrafista Gelson Domingos da Silva, ocorrida em uma operação na favela Antares no domingo.

"Não tem como você atribuir algum tipo de responsabilidade à polícia pelo que aconteceu. A responsabilidade é do jornalista que está lá, que sabe o risco que está enfrentando, que pode avaliar a situação no momento e decidir o que deve fazer ou não", afirma.

Gelson, que trabalhava na Rede Bandeirantes, foi morto por um tiro de fuzil durante um confronto entre policiais e traficantes na favela. Ele usava colete à prova de balas, mas o projétil atravessou a proteção. Domingos havia trabalhado também nas emissoras Record e SBT. Ele deixa três filhos e dois netos.

"A polícia está fazendo o trabalho dela. Então, o policial está ali para proteger a população. Eles têm a com a missão de pacificar o Rio de Janeiro. Os jornalistas têm outra missão, que é de cobrir e reportar esse tipo de fato que estamos vivendo. Eles (polícia e jornalistas) não são amigos nem inimigos ali. Cada um faz o seu trabalho. Mas acho que importante que o jornalista não se coloque em risco, não entre no fogo cruzado e que também atrapalhe o trabalho da polícia. A polícia não tem nem que convidar, nem desconvidar, a polícia está lá para fazer o trabalho dela", diz Moreira.

O diretor do Insi Brasil diz que o instituto defende que a cobertura jornalística de situações de conflito armado seja realizada, mas pondera: "nenhuma imagem e nenhuma foto vale mais que a vida de um jornalista. É possível você fazer o trabalho com um risco menor e ter o mesmo resultado do que quando você se expõem exageradamente ao risco".

Ele diz que o risco é inerente da profissão, principalmente, no caso dos profissionais que fazem a cobertura policial no Rio de Janeiro. "Esse tipo de cobertura é arriscada no Rio de Janeiro, principalmente, por causa da ação dos bandidos nas favelas. Para fazer esse trabalho, os repórteres devem estar bem protegidos e com o equipamento adequado. O ideal é que esteja treinado, e que na hora da escalação, sejam escolhidos os repórteres que já tenham experiência nessas áreas", diz.

Moreira diz que o instituto oferece curso de capacitação para jornalistas que trabalham na cobertura de situações de conflito armado. "É necessário ter um treinamento adequado. O curso dá várias noções do que a pessoa enfrenta, enquanto imprensa, quando está em um tiroteio".

Durante o treinamento, o jornalista aprende onde deve se proteger, qual o grau de proteção, até onde deve ir de forma segura, noções de primeiros socorros, o tipo de equipamento adequado para cada situação e até como lidar com o estresse pós-traumático.

"Risco zero não existe porque o risco é inerente ao trabalho de jornalista, mas é possível minimizá-lo. Por mais que você não consiga 100% de segurança, consegue algum tipo de proteção", diz.