Peritos identificam cozinha em meio a escombros de restaurante no Rio

Dois engenheiros que trabalham junto a peritos na investigação sobre as causas da explosão do restaurante Filé Carioca, que matou três pessoas e feriu 17 na última quinta-feira no Rio de Janeiro, estiveram nesta terça-feira na 5ª Delegacia de Polícia Civil, que investiga o caso.

Os especialistas Manoel Dias Jorge e Fábio Bruno Pinto afirmam que a cozinha do restaurante foi identificada em meio aos escombros e que agora eles procuram, por meio de um cabo de cobre que levava o gás à cozinha, o lugar exato onde ficava o fogão.

De acordo com Pinto, a localização é necessária para entender dinâmica da explosão. "Vou conseguir identificar onde e como aconteceu a explosão. Até quinta-feira, vamos retirar todos os escombros", disse o especialista ao entrar na delegacia. Segundo o engenheiro, 1 t de escombros já foi retirada do local.

Jorge, que também trabalhou na implosão do presídio Carandiru, em São Paulo, e na perícia do voo da TAM, em 2007, ajuda a coordenar a coleta de material a ser periciado. "Estamos retirando todo o material encontrado e apresentamos diretamente à perícia, que vai finalizar o processo e entregar ao delegado", afirmou. Ele não soube precisar quanto tempo o processo de análise levará.

Segundo o delegado Antônio Bomfim, a dinâmica da explosão é o único aspecto técnico que falta para a conclusão do inquérito. "A partir de agora as investigações entram em fase mais sigilosa. Aí sim vamos conseguir apontar e mostrar a cara dos responsáveis", afirmou o delegado que afirmou que o acidente "foi uma sucessão de erros de várias pessoas"

"Todas as pessoas sabem, por mais humildes que sejam, que não se devem guardar botijões de gás em lugares fechados", disse o delegado, sinalizando que houve problemas tanto na fiscalização, na concessão de alvará, como na administração do lugar. Ele confirmou que o irmão do dono do restaurante já saiu do hospital e deve ser ouvido amanhã por um perito que irá até dele para colher o depoimento.

Entre as pessoas já ouvidas pela polícia, está o contador da empresa, apontado pelo dono do restaurante, Rogério Amaral, como responsável pelo alvará do estabelecimento. Na sexta-feira, o delegado vai tomar o depoimento do responsável pela SHV Gás, que cuidava da manutenção do gás no restaurante.