Favela de Caracas adota modelo do PAC do Rio

Técnicos do Estado vão à Venezuela para formatar programa de desenvolvimento sustentável em San Agustin

O governo da Venezuela reproduzirá na comunidade carente de San Agustin del Sur, em Caracas, o modelo do PAC do Rio de Janeiro. A experiência do Governo do Estado nas comunidades cariocas serviu de base para a formatação de um programa de desenvolvimento sustentável nessa favela de cerca de 15 mil habitantes. Segundo a coordenadora-geral do PAC Social da Casa Civil do Estado, Ruth Jurberg, o plano deverá ser lançado no fim de outubro pelo presidente venezuelano, Hugo Chavez.

Ruth e o presidente da Empresa de Obras Públicas (Emop), Ícaro Moreno Júnior, estiveram no início do mês em Caracas, durante uma semana, para dar suporte técnico ao projeto. Os representantes do Governo do Estado, mais um representante da Caixa Econômica Federal (CEF), intermediária do intercâmbio, deverão voltar à capital venezuelana no início do próximo mês para a finalização do programa de urbanização e ações sociais em San Agustin.

Há dois anos, uma equipe do governo da Venezuela esteve no Rio para conhecer de perto as intervenções urbanísticas e sociais nas comunidades atendidas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no estado. Na volta, construíram um teleférico em San Agustin baseado no sistema do Complexo do Alemão, que, à época, estava em obras. O teleférico de Caracas começou a operar com cinco estações, mas, ao contrário do Alemão, são apenas terminais de embarque e desembarque de passageiros.

– Na época, a comunidade não recebeu recursos para intervenções de infraestrutura e sociais, o que vai acontecer agora. Nós estamos ajudando – afirmou a coordenadora.

O intercâmbio começou durante seminário no início de setembro, organizado pelo governo venezuelano, e prossegue por meio de videoconferência toda quinta-feira, entre representantes do Governo do Estado, da Caixa Econômica do Brasil, da similar venezuelana e do Ministério das Viviendas, correspondente à pasta da Habitação brasileira.

– Nesses contatos, a gente avança com as propostas. Algumas já foram incorporadas ao plano, como a colocação de equipamentos sociais nas estações do teleférico para aumentar o fluxo de pessoas. Os espaços estão subutilizados – constatou.

O programa venezuelano também incorporou os projetos de intervenções física adotados pelo Governo do Estado no PAC das Comunidades, com a implantação de obras de infraestrutura por bacias hidrográficas. Na questão habitacional, o plano de Caracas deve igualmente replicar o esquema de remoção de pessoas de áreas de risco para alocá-las em conjuntos habitacionais. As novas moradias estão sendo construídas na comunidade, ao estilo do programa federal Minha Casa Minha Vida.

– Também sugerimos uma maior interligação com o resto da cidade, hoje restrita a uma rua. Propusemos a criação de praças – resumiu Ruth.

Outra sugestão, que está sendo estudada pelos venezuelanos, é a valorização de ativos culturais de San Agustin. Segundo Ruth, a comunidade tem um perfil semelhante ao da Mangueira, berço de grandes músicos. Nesta linha, o plano vai incentivar a criação de escola de música e de produção de instrumentos musicais.